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Entrevistas + Reportagens


Casa-Museu Abel Salazar [Página 205]

À entrada, uma fotografia de grandes dimensões de Abel de Lima Salazar, nascido em Guimarães a 19 de julho de 1889. As mãos nos bolsos e na boca um cigarro – Abel Salazar haveria de morrer em 1946, aos 57 anos, devido a um cancro pulmonar. Demasiado cedo para quem, ainda assim, deixou tanto. A vida e a obra deste artista, investigador, cientista, escritor – anarquista científico, como disse que poderia ser classificado – pode ser visitada na Casa-Museu Abel Salazar (CMAS), situada na rua com o seu nome, em São Mamede de Infesta (Matosinhos). [Reportagem de Maria João Leite e Fotografias de Ana Alvim / Edição nº 205, série II - Verão 2015]





David Rodrigues à PÁGINA 202

"O que nos mostram os estudos transnacionais é que os bons sistemas educativos são aqueles que ao mesmo tempo são capazes de criar a excelência e também a equidade. Qualquer sistema educacional fraco ou insuficiente consegue criar excelência. É muito fácil criar bolsas de excelência. O que é realmente difícil é conseguir equidade, isto é, conseguir que as características e as circunstâncias de cada um dos alunos não originem o tratamento desigual em termos educativos." [Entrevista conduzida por Maria João Leite / Edição nº 202, série II, Inverno 2013]





Manuel Jacinto Sarmento à PÁGINA 201

O que esta ideologia realmente pretende é afunilar as oportunidades escolares através da atualização de vias educativas. Esta é, de facto, a grande questão da reconstrução da Escola segundo o paradigma neoliberal – aqui, com orientações claramente cruzadas com orientações neoconservadoras. Há aqui uma aliança ideológica, digamos assim, que encontra frequentemente os mesmos protagonistas: por um lado, a privatização do serviço de acesso à educação e, por outro, o regresso à Escola das elites do passado e ao fosso dos processos de seletividade escolar.” [Entrevista conduzida por António Baldaia / Edição nº 201, série II, Outono 2013]





António Pinho Vargas à PÁGINA 195

“Não haver um ministério, mas uma Secretaria de Estado da Cultura, é apenas uma desvalorização simbólica. Preocupo-me mais com a forma como se põem a funcionar os equipamentos culturais que pertencem ao Estado e como se considera a atribuição dos subsídios às pequenas instituições e aos grupos das diferentes áreas culturais, como o teatro ou o cinema. Os cortes que agora estão a ser executados vão pôr em causa muito trabalho cultural em todo o país”. [Entrevista conduzida por José Paulo Oliveira / Edição nº 195, série II - Inverno 2011]





Teresa Maia Mendes à PÁGINA 193

“Eu não abdico de dizer que sou professora. Nunca abdiquei. Quando, em 74, a Segurança Social queria acabar com os professores e pôr todos como técnicos, porque ganhavam mais 100 paus, nós fizemos uma bulha desgraçada e dissemos que éramos professores, tínhamos uma profissão e não abdicávamos dela. Portanto, eu sempre me senti professora, e não admito que alguém diga que, porque se aposentou, deixou de ser professoraMas, neste momento, sinto-me mais sindicalista.” [Entrevista conduzida por António Baldaia / Edição nº 193, série II - Verão 2011]





Regina Leite Garcia à Página 103

Regina Leite Garcia iniciou-se na profissão docente como professora primária, tarefa que desempenhou ao longo de quinze anos. Mais tarde, torna-se pesquisadora e escritora e participa em movimentos sociais como o dos Trabalhadores Sem Terra e outros mais direccionados para as questões da escola e da universidade. Pós-doutorada pela Universidade de Londres, trabalhou no Institute of Education e na Universidade de Wisconsin-Madison. Voltou para o Brasil para cocncorrer a professora titular em alfabetização. [entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição N.º 103, junho 2001]






ELENA THEODOROPOULOU à página 199 - inverno 2012

“O que devemos esperar da Educação é que, sendo capaz de alterar os conceitos, os valores, os referenciais, possa representar um papel transformador, um papel inovador nas sociedades. Se há uma crise de sentido, nós não respondemos a essa crise com respostas prefabricadas. Não se está a ousar colocar a questão crucial e não se ousa dizer que não se tem a resposta. Nós perdemos a nossa juventude, porque todas as respostas estavam já respondidas; mas, no meu ponto de vista, o défice não está tanto nas respostas, mas nas questões.”

Entrevista conduzida por Maria João Leite





Sérgio Niza à página 198 - outono 2012

“O Ministério da Educação e Ciência é de uma ignorância que faz medo: os avanços e recuos, o desnorte na organização das escolas, nos concursos, nas metas ideologicamente hipermarcadas… E de um revivalismo inquietante – quando nos Estados Unidos se utilizam standards, aqui estabelecem-se metas por objetivos, com taxonomias inspiradas nas de [Benjamin] Bloom, da pedagogia por objetivos, de má memória… Dizem que os professores têm liberdade metodológica, mas contam com os diretores dos agrupamentos disponíveis para uniformizarem o que os professores hão de fazer… Enquanto tivermos uma fresta para respirar liberdade, temos de usá-la na escola. E temos de ousar fazer diferente. Porque o que temos vindo a fazer é muito parecido com o que Nuno Crato quer que se faça agora – podem os professores não gostar, mas é absolutamente verdade. ”

Entrevista conduzida por António Baldaia





JAIME CARVALHO E SILVA à página 192 - primavera 2011

"Os tempos que correm não são fáceis, mas noutras épocas também já houve problemas graves e as pessoas conseguiram ultrapassá-los. Sozinhos pouco conseguiremos fazer. Trabalhando uns com os outros, nas escolas, nas associações (como a Associação de Professores de Matemática ou a Sociedade Portuguesa de Matemática) poderemos fazer muita coisa. O ensino da Matemática é essencial na sociedade actual, pelo que os conhecimentos que os jovens possam adquirir são essenciais a uma vida de cidadão mais completa e mais proveitosa. Os professores de Matemática precisam de estar conscientes do importantíssimo papel que desempenham na formação dos jovens."

Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa






ARIANA COSME à página 190 - outono 2010

“Quando falo do professor como interlocutor qualificado, falo de um professor que é capaz de se ler enquanto profissional a partir da prática que desenha na sua sala. Professor qualificado é o que se organiza para responder à questão o que é que eu espero dos meus alunos?. Que antes de dizer o que vai fazer, é capaz de pensar o que espera dos alunos, o que é suposto eles aprenderem com ele, o que é suposto fazer com eles durante o mês seguinte ou a próxima hora. Quando consegue pensar desta maneira a sua relação com os alunos, o professor está disponível para pensar novas formas de se adaptar à comunicação, à rede de trabalho, a propostas de trabalho… Há professores que não abdicam de trabalhar assim. É difícil? É, mas é possível.”

Entrevista conduzida por António Baldaia





Domingos Fernandes - Edição N.º 194

“Eu penso – e sei que este pensamento não é propriamente o mais comum – que este é um momento de grande oportunidade para o sistema educativo português. Mas, naturalmente, é um momento de oportunidade se nós tivermos um pensamento sobre a Escola, um pensamento sobre a Educação, um pensamento sobre o sistema educativo e como é que o podemos e devemos desenvolver, identificando clara e inequivocamente as áreas, os domínios, em que é fundamental investir nos próximos anos. Penso que não será a troika, ou outra estrutura supra-nacional qualquer, que nos pode impedir de desenvolver determinadas políticas. É evidente que não ignoro que há constrangimentos financeiros, que todos conhecemos e que podem não nos permitir desenvolver as coisas de uma determinada maneira. Por isso, temos que ser inteligentes e criativos, e ter as pessoas mobilizadas”.

Entrevista conduzida por António Baldaia





Isabel Pires de Lima à Página 194

“Se, ao nível do ensino, não cruzarmos o incentivo ao desenvolvimento do pensamento cognitivo com o incentivo ao desenvolvimento do pensamento emocional (designadamente, através das artes e das manifestações de Cultura no sentido variado do termo), provavelmente não conseguimos ter sucesso ao nível da Educação de cidadãos capazes de reconhecerem, por exemplo, aquilo que são as narrativas éticas que ainda orientam as nossas comunidades. Estamos permanentemente a dizer que se perderam valores, que os jovens não reconhecem os valores que organizam a comunidade – ora, o reconhecimento desses valores faz-se muito através de um desenvolvimento equilibrado entre pensamento emocional e cognitivo”. [Entrevista conduzida por Maria João Leite/Edição N.º 194, série II, Outono 2011]





MIGUEL SANTOS GUERRA - Edição N.º 192

Com paixão. É assim que Miguel Ángel Santos Guerra vê a profissão docente. E o colaborador da PÁGINA sabe do que fala. Leonês de nascimento emalagueño por adopção, tem um currículo invejável: leccionou em todos os níveis de ensino e dirigiu escolas; diplomado em Psicologia e em Cinematografia, doutorado em Ciências da Educação, é catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade de Málaga e dirige o Grupo de Investigação HUM 0365, da Junta da Andaluzia.
Pedagogo reconhecido internacionalmente, colabora com diversas publicações e editoras, em Espanha e no exterior, e tem publicados inúmeros artigos e diversas obras de referência sobre organização escolar, avaliação educativa e formação de professores. Mantém um blogue (http://blogs.opinionmalaga.com/eladarve) onde vai tecendo considerações e partilhando experiências. 

Entrevista conduzida por Maria João Leite





JOSÉ HERNÁNDEZ DÍAZ - Edição N.º 191

El acceso a los bienes de la Educación y de la escuela obligatoria de millones de ciudadanos ha generado nuevos problemas de orden cuantitativo, y sobre todo cualitativo. Ello obliga a un tratamento científico de las nuevas circunstancias, com criterios de firme racionalidad. No es suficiente lo que entonces se conocía como la vocación pedagógica, la pedagogía del amor, de la paciencia, aunque todas estas formas de educar sean instrumentos imprescindibles en un proceso educativo. Hay que saber añadir el valor especial que representa la actuación pedagógica planteada con la necesaria racionalidad, formación, espíritu científico, crítico en definitiva.

Entrevista conduzida por José Paulo Oliveira 





"O Mato Mata” é um romance de Florival Lança que, recorrendo à sua experiência no teatro de operações, traça o retrato do que foi a guerra colonial portuguesa e das suas consequências reais. São várias as personagens que vivem nesta história, engalanada pelos cenários da magia africana e do feitiço angolano, palcos de momentos de miséria, de dramas intrínsecos ao conflito e dos traumas que roubam horas de sono, mas também de momentos de riqueza humana e de amizade sem limites.





Manuela Esteves À PÁGINA 187

"O trabalho dos professores deveria contemplar a realização de trabalhos de natureza investigativa, colaborativa – porque estes trabalhos ganham sentido quando são feitos por grupos de professores, e não individualmente, sendo muito difícil nestes casos manter o estímulo e o incentivo para continuar. Nas escolas deveriam existir grupos de trabalho, comunidades de professores interessados em resolver o mesmo tipo de problemas: a indisciplina, a dificuldade de aprendizagem, entre outros..."  [entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição n.º 187, série II, inverno 2009]





ABEL MACEDO À PÁGINA 187 [INVERNO 2009]

A memória social e profissional dos professores é um tema geralmente pouco tratado, mas fundamental para compreender a história da profissão e para a afirmação da identidade docente. E foi o ponto de partida para uma entrevista com Abel Macedo. Ao longo da conversa, oportunidade para abordar, também, as recentes movimentações dos educadores e professores portugueses em defesa da sua dignidade profissional e para questionar o papel dos sindicatos na sua afirmação perante a opinião pública. Abel Macedo é co-coordenador do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) – a cuja comissão instaladora pertenceu, em 1982 – e membro da direcção desde 1985. Integra o Conselho Nacional e o Secretariado Nacional da Fenprof e, em representação desta, é coordenador da CPLP-Sindical da Educação.

Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa





MANUEL ANTÓNIO SILVA

"Hoje, pelo menos do ponto de vista académico, não existe nenhuma razão para que haja diferentes tipos de identidade [docente]: hoje, todos os professores têm obrigatoriamente um mestrado, e desde ‘98 todos tinham obrigatoriamente uma licenciatura. Mas persiste outro aspeto, que é o caráter mais ou menos complexo da atividade docente – os do Ensino Secundário acham que o seu trabalho é mais complexo do que o do 1º Ciclo, e vice-versa. Esta competição existe, é real."
Manuel António Silva participou recentemente numa iniciativa do Sindicato dos Professores do Norte sobre identidade profissional e a PÁGINA aproveitou para, no início de mais um ano letivo, colocar ao professor do Instituto de Educação da Universidade do Minho (e colaborador da revista) algumas questões pertinentes.

Entrevista conduzida por Maria João Leite





Olga Pombo à Página 195 [inverno 2011]

“Apesar de tudo, ao professor é dado um espaço próprio, que é a aula. E embora as pedagogias tendam a diminuir a sua importância, eu acho que o espaço da aula é uma clareira. É um lugar muito importante e muito bonito. Fechar a porta de uma sala e ter lá dentro 20 ou 30 crianças e um professor mais velho é um fenómeno muito estranho, em que muito pouca gente pensa. E quando o professor fecha a porta da sala e diz “agora vamos começar a nossa aula”, há aqui uma espécie de oportunidade.”

Entrevista conduzida por António Baldaia

Edição N.º 195, série II, Inverno 2011





Viriato Soromenho-Marques à página 197 [verão 2012]

“Os únicos ‘milagres’ são políticos, mas não acontecem por acaso. Eu acredito que a política transforma em visível a força de vontade que emana do coração das pessoas. Ou seja, a política deve ser a visibilização da ética, da boa vontade, da vontade moral. Porque só ética retórica não chega a parte nenhuma. Aquilo que faz a transição de uma ética, de uma vontade forte, para as instituições políticas, para as boas leis, é cada um de nós perceber que chegámos a um ponto em que temos de entrar diretamente na ação; não podemos pagar a alguém para fazer isso por nós, temos de meter as mãos no barro, porque há gente que as vai sujar na lama.”

Entrevista conduzida por António Baldaia

Edição N.º 197, série II, verão 2012





Carlos Ferreira é o organizador de «40 Vidas por Abril», que reúne testemunhos que retratam a vida antes do 25 de Abril de 1974. À PÁGINA, "Gostava muito que este livro chegasse às escolas, porque a juventude sabe pouco deste período negro, tão nefasto, tão sombrio e que fez mal a tanta gente".





Carlinda Leite à Página 199

“Não podemos ignorar que existe um desentusiasmo dos professores, só não vê quem não quiser. E não porque os professores não gostem da sua profissão – estou em crer que é precisamente porque gostam e lhes desagrada a mudança contínua. Um exemplo concreto: a legislação sobre a organização curricular determinava que as escolas e os professores tinham de conceber projetos em função das competências.
Vem uma medida e já não são só as competências; são as metas, e algumas escolas começaram a reorganizar os planos curriculares em função das metas. Vem outra medida e as metas estão acabadas; aquele trabalho fica anulado. E agora já são outras metas e nem sequer se pode falar em competências...”[Entrevista conduzida por Maria João Leite/Edição N.º 199, série II, Inverno 2012]





Sérgio Niza à Página 198 [outono 2012]

“O Ministério da Educação e Ciência é de uma ignorância que faz medo: os avanços e recuos, o desnorte na organização das escolas, nos concursos, nas metas ideologicamente hipermarcadas… E de um revivalismo inquietante – quando nos Estados Unidos se utilizam standards, aqui estabelecem-se metas por objetivos, com taxonomias inspiradas nas de [Benjamin] Bloom, da pedagogia por objetivos, de má memória… Dizem que os professores têm liberdade metodológica, mas contam com os diretores dos agrupamentos disponíveis para uniformizarem o que os professores hão de fazer… Enquanto tivermos uma fresta para respirar liberdade, temos de usá-la na escola. E temos de ousar fazer diferente. Porque o que temos vindo a fazer é muito parecido com o que Nuno Crato quer que se faça agora – podem os professores não gostar, mas é absolutamente verdade. ”

Entrevista conduzida por António Baldaia

Edição N.º 198, série II, Outono 2012





António Nóvoa à página 187 [Inverno 2009]

"Não nascemos professores. Tornamo-nos professores através de um processo de formação e de aprendizagem da profissão. Há dois momentos fundamentais que têm sido ignorados ao longo das últimas décadas, o que revela bem a confusão que hoje existe nas políticas e nos programas de formação de professores. O primeiro corresponde à entrada num curso que habilita para a docência. O actual processo, burocrático e administrativo, não faz qualquer sentido. É urgente introduzir um recrutamento mais individualizado, que permita perceber as inclinações e as disposições de cada um para o ensino. E é preciso criar as condições para que os melhores alunos do ensino secundário escolham a profissão docente. Ser professor não pode ser uma segunda escolha.  O outro momento é a transição de aluno-mestre (de aluno que aprende para ser mestre) para professor principiante. Os primeiros anos de exercício docente são absolutamente decisivos."

Edição N.º 187, série II, Inverno 2009





Paulo Santiago à Página 198 [outono 2012]

“A afirmação da liderança pedagógica das escolas é uma reforma com bastante impacto noutros países, mas que em Portugal, apesar do progresso que já se fez, ainda está pouco desenvolvida. O que constatámos é que há pouca autonomia e que as lideranças tendem a acentuar a componente administrativa. Defendemos que são necessários líderes pedagógicos e maior autonomia para essa liderança, porque nas escolas tem de haver capacidade para liderar um projeto pedagógico, para conduzir uma equipa, para fazer feedback da melhoria das práticas, etc.”

Entrevista conduzida por Maria João Leite





ADALBERTO DIAS DE CARVALHO

Um dos mais antigos colaboradores da Página e autor de vária obra nos domínios da educação e do trabalho social, Adalberto Dias de Carvalho é doutor em Filosofia da educação, catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, professor convidado da Universidade de rouen (França), presidente da Sociedade de Filosofia de educação de Língua Portuguesa e coordenador do observatório da Solidão, que funciona no âmbito do Centro de Investigação Interdisciplinar e de Intervenção Comunitária, do Instituto Superior de Ciências empresariais e do Turismo (ISCeT), no Porto. A ideia de estudar a solidão surge da confluência de duas áreas de interesse para Adalberto Dias de Carvalho: a exclusão e a intimidade, que têm em comum o fenómeno da solidão. e o que é a solidão, afinal?

Entrevista conduzida por Maria João Leite

Edição N.º 193, série II, Verão 2011 





Angelina Carvalho

“Gostaria de relembrar aos fazedores de opinião que devem ser mais sérios nas acusações que dirigem e nas afirmações que deixam passar para a opinião pública. Aos professores, sobretudo os mais jovens, que, tendo consciência da condição precária que é, neste momento, o próprio acto de estar numa escola, tentassem perceber que quando se sugere uma atitude de reformação e de reflexão dos contextos pedagógicos seria importante que eles próprios assumissem essa postura (...). De facto, a escola atravessa um momento difícil, mas não é regressando à escola do tempo dos nossos pais que se resolve o problema, porque essa escola já não existe e essa sociedade também não. É preciso encontrar soluções novas para novos problemas.”

Entrevista à PÁGINA

Edição N.º 131, série II, fevereiro 2014





MIA COUTO À PÁGINA 202

“A vida, ou melhor, as vidas que disputam uma única criatura. É isso que me inspira: a infinita briga entre sermos um só e sermos plurais e cheios de potencialidades para a alteridade. Esse conflito está presente em cada pessoa, seja ela escritora ou não. Se quisermos, se tirarmos prazer disso, somos todos capazes de surpreender essa multiplicidade de histórias que há em cada um de nós. O importante não é tanto escrever, mas criar histórias. Essa capacidade faz-nos mais humanos, mais felizes, mais coletivos.”  [Mia Couto respondeu por escrito a questões colocadas por Maria João Leite - edição N.º 202, série II, inverno 2013





[página 188, primavera 2010]

“O nacionalismo no período republicano tem uma característica diferente da que veio a ter com o fascismo: a ideia de que a universidade e a escola, em geral, devem colocar-se ao serviço dos grandes problemas nacionais e tomar essas questões como eixo da actividade de investigação e de ensino, isto é, de que se deve pesquisar e ensinar em ordem a achar resposta para os problemas do país. É sobretudo o republicanismo positivista que inspira esta concepção. Mas a questão da educação popular ultrapassa o republicanismo. Fora do ensino oficial, por exemplo, aparecem as universidades livres e populares, muitas vezes de teor anarquista”.

Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa

Edição N.º 188, série II, primavera 2010





Valter Hugo Mãe à página 197

“As mães são indivíduos capazes de um afeto mais incondicional e acho que a maternidade é a experiência mais absoluta da humanidade. Por isso acho que as mães são o ser humano escolhido; os pais, ou os homens, são a parte desfavorecida da humanidade, porque temos direito a uma experiência humana muito menos intensa, muito menos absoluta. A palavra Mãe no nome de um homem significa que um ser humano perfeito teria de ser completo ao ponto de englobar tudo, e isso é uma utopia.”  [entrevista conduzida por Maria João Leite - edição N.º 197, série II, verão 2012]

 





FÁTIMA VIEIRA

“A utopia é sempre rutura com o presente. Nós costumamos falar em discurso ideológico, que é o discurso dominante, e discurso subversivo, que é o discurso utópico. A utopia tenta sempre transformar e, ao transformar, tenta sempre romper com o presente. E é importante que se mantenha sempre esta ideia de rutura com o presente, porque a partir do momento em que a utopia se transforma em ideologia, deixa de ser utópica. Daí o interesse, até, em que as utopias não sejam verdadeiramente concretizadas, na medida em que sejam constantemente reformuladas. Porque a partir do momento em que a utopia é realizada, torna-se estática. E a utopia é exatamente ao contrário.” 

Entrevista conduzida por António Baldaia

Edição N.º 200, série II, primavera 2013





Nuno Higino à Página on line

“O Animal Eólico do Corpo”, o último livro de poesia de Nuno Higino, lançado em 2008, foi um dos escolhidos para inaugurar a coleção Laberinto de Saudade, da Editorial Amargord (Madrid). Um reconhecimento que foi um “perfeito acaso”. Natural de Felgueiras, Higino foi professor de Português e, durante anos, pároco em Marco de Canaveses. Entretanto, deixou a vida religiosa e voltou a ser professor. O ideal seria viver da poesia, mas é difícil. “Somos um país que tem muitos poetas e poucos leitores de poesia”.  Maria João Leite + Henrique Borges (fotos)


  
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