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Entrevistas + Reportagens


Lauro Moreira à PÁGINA 188

“A lusofonia, muito mais do que um espaço, é um espírito que emerge de 500 anos de um convívio cuja matriz é Portugal, um convívio que acabou formando um património linguístico, cultural, histórico, e que teve um dia para começar, mas não tem para acabar. A lusofonia, portanto, é algo em construção, um fenómeno in fieri, algo que está ocorrendo.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 188, série II, primavera 2010]





Manuel Loff à PÁGINA 191

“Sublinho que me parece particularmente paradoxal o momento específico, a conjuntura histórica na qual estamos a comemorar os 100 anos da República, em que o poder político e económico actua contra os cidadãos, desejando que não reflictam, que não reajam, que aceitem passivamente decisões que constituem verdadeiros ataques aos seus direitos enquanto cidadãos. De um exército de cidadãos falava a República há um século. Hoje há, nitidamente, um ataque feroz, de um despotismo pseudo-económico, sobre os cidadãos. Isto é claramente anti-republicano.” [Entrevista conduzida por José Paulo Oliveira - edição nº 191, série II, inverno 2010]





Rui Canário à PÁGINA 186

"Penso que nos últimos trinta anos temos vindo a assistir à implantação de um sistema democrático que, de alguma maneira, é construído em sentido contrário àquilo que foi o regime que se viveu entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1976, período marcado pela explosão da participação popular e da democracia participativa, que se traduziu numa alteração bastante significativa da relação de forças entre o capital e o trabalho e das modalidades de exercício do poder nos locais de trabalho. (...) O que se tem vindo a verificar desde então é a tentativa de repor uma certa normalização que culmina na imposição dos directores, quando essa não é a questão central do funcionamento das escolas. Não é por funcionarem com uma maior participação dos professores ou com órgãos colegiais que elas funcionam mal."  [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 186, série II, outono 2009]





Luís Souta à PÁGINA 185

"Anteriormente à implementação de Bolonha, na área da formação de professores dominava o princípio da formação integrada, através da qual os alunos tinham, desde o primeiro ano, contacto com instituições educativas, e que se aprofundava de forma gradual e progressiva. No actual contexto, a educação básica de três anos não faz qualquer sentido. É um contra-senso termos um curso no ensino superior politécnico que não profissionaliza para nada; resume-se a uma etapa propedêutica para ingresso num mestrado de ensino." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 185, série II, verão 2009]





Júlio Couto à PÁGINA extra-série Verão 2013

O Porto é solidário, hospitaleiro, honesto... O Porto não se diz, é-se. Assim é também Júlio Couto, economista, mas, acima de tudo, um historiador e conhecedor da cidade, portuense interessado, em constante busca de histórias e factos. Como o Porto, também Júlio Couto “não está quieto”. Apesar da vida com os números, esteve sempre ligado às letras e à comunicação, tendo escrito vários livros. A partir da Fontinha, em sua casa, Júlio Couto deu com a PÁGINA uma volta pela cidade, através de lugares e de histórias. [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição extra-série, verão 2013]





Manuel Carlos Silva à PÁGINA 186

"Desiludam-se os que pensam que as estratégias de aproximação ao poder institucional ou de bajulação a uma ou outra figura bem situada na hierarquia interna das próprias estruturas patrocinais de departamento ou de escolas e faculdades serão suficientes ou eficazes. Só a acção colectiva e a unidade na acção poderão fazer estancar a onda neoliberal de precarização dos postos de trabalho no sector público, a que acresce a necessidade de revogar certas normas da função pública inscritas na Lei 12A, designadamente em torno da nomeação definitiva." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 186, série II, outono 2009]





Santana Castilho à PÁGINA 185

"Os professores são uma classe heterogénea e naturalmente as motivações que os levaram à rua – primeiro 100 mil, depois 120 mil – serão as mais diversas. Mas eu diria que, fundamentalmente, o que motivou a mobilização em massa da classe foi o ataque mais inqualificável, a redução à expressão da total indignidade profissional, a atitude de desconsideração, a tentativa de vergar os professores não por questões que poderiam ser discutíveis do ponto de vista das doutrinas, mas por questões que se prendem com a dignidade profissional e até a dignidade humana." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 185, série II, verão 2009]





Maria do Céu Roldão à Página 205

"Se numa situação mais ou menos estável, os professores já têm uma visão muito segmentária e não uma cultura que encaminhe para o trabalho conjunto, quando começam a encerrar escolas, a desaparecer postos de trabalho, a aumentar as dimensões das turmas, a eliminar apoios a crianças com necessidades educativas especiais, tudo isto se agrava e gera um desencanto enorme..." [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 205, série II, verão 2015]





Alexandre Quintanilha à PÁGINA 203

“Eu tenho a sensação de que lá fora, para alguns, é surpreendente que os jovens que vão de Portugal sejam de tal qualidade e estejam tão bem  preparados para aquilo que estão a fazer. Mas hoje em dia está a tornar-se mais comum gostarem de receber investigadores portugueses, porque sabem que se dedicam de corpo e alma ao que estão a fazer. A nossa formação continua a ser de muita qualidade e os nossos investigadores, em  todas as áreas, não têm de que se envergonhar em qualquer sítio do mundo. Somos bem preparados, dos melhores que há. Temos um bocadinho de medo de arriscar, é verdade, mas em termos de formação somos muito bem vistos.” [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 203, série II, primavera 2014]





João Caraça à PÁGINA 185

"A Europa é um actor com um papel muito reduzido neste jogo, porque a força da Europa reside no facto de ser um parceiro dos Estados Unidos. O que os americanos fizeram foi arranjar mecanismos – dos quais a guerra no Iraque é um caso paradigmático – para continuar com o esquema existente, de manter uma ilusão de poder. E quando a América começa a perceber que não pode ganhar a guerra, as outras forças à volta vão-se posicionando. O que acontece é que, no próprio centro, o mecanismo de acumulação de riqueza foi ruindo. O grande erro das elites dirigentes foi promoverem um modelo de crescimento baseado na facilidade de obtenção de crédito, socorrendo-se da poupança obtida na periferia do império." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 185, série II, verão 2009]





Alípio de Souza Filho à PÁGINA 173

"[...] Há uma verdadeira tradição intelectual no Brasil, pontuado por expoentes como Sérgio Buarque de Holanda ou Caio Prado Júnior, e toda uma corrente de pensadores marxistas que influenciou de forma determinante as ciências sociais brasileiras, que sustenta uma leitura negativa das mestiçagens e associa erradamente a ideia de instituições moles a instituições fracas, produzindo uma concepção pessimista e desconfiada das mestiçagens relativamente ao futuro da sociedade brasileira." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 173, dezembro 2007]





Roger Dale à PÁGINA 173

"De uma forma geral, as suas condições de trabalho deterioraram-se, os salários não são actualizados na proporção das suas responsabilidades, espera-se que cumpram papéis cada vez mais diversificados, o seu conhecimento e experiência profissional é posta em causa continuamente e são frequentemente publicamente humilhados – pelo menos é isso que acontece no Reino Unido. No meu país, por exemplo, publicou-se recentemente uma fotografia na primeira página de um jornal mostrando uma escola com a seguinte legenda: 'esta é a pior escola de Inglaterra' – ou pelo menos identificada como tal pelo governo. Por tudo isto, os professores podem apenas actualmente limitar-se a dizer 'isto é o que conseguimos fazer de melhor'." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 173, dezembro 2007]





ISABEL MENEZES À PÁGINA 207

“[...] acho que faltam outros profissionais na escola, que poderiam coadjuvar o trabalho dos professores, libertar os professores para algumas tarefas e, nomeadamente, nas questões da mediação ou interação comunitária, favorecer essas redes de relação. [...] há uma dinâmica própria do trabalho de ensino-aprendizagem e das exigências específicas do que os professores têm de fazer que muitas vezes lhes rouba tempo para outro tipo de atividades. Portanto, não era mau que as escolas fossem invadidas por profissionais com perfis diferentes e que pudessem contribuir para uma maior diversidade.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 207, série II, verão 2016]





Almerindo Janela Afonso à Página 185

"Em avaliação, a objectividade é sempre a objectividade possível. Se a função docente é, em si mesma, complexa, os instrumentos de avaliação têm de corresponder a essa complexidade. E quando digo intrumentos complexos não pretendo dizer complicados, mas sim dispositivos de avaliação que consigam dar conta da amplitude das tarefas e das suas especificidades. Não é com instrumentos burocratizantes, pouco credíveis ou impostos que se avalia uma profissão complexa como a docência." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 185, série II, verão 2009]





Manuel Sobrinho Simões à Página 204

“Na nossa formação superior, 30-40 por cento dos bons alunos são muito bons em qualquer parte do mundo. Por exemplo, dou regularmente aulas nos Estados Unidos e os meus alunos portugueses são muito melhores do que os meus alunos americanos – não tenho dúvida nenhuma! – em termos de inteligência, de capacidade de pensar, de capacidade de fazer. Também trabalho muito com Londres e lá os nossos patologistas e enfermeiros estão super-bem classificados. E na Holanda a mesma coisa. Não tenho dúvida nenhuma que o nosso sistema de ensino compara-se favoravelmente com a maior parte dos sistemas de ensino que conheço. Ou comparava...” [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 204, série II, inverno 2014]





Albano Martins à PÁGINA 199

“Diria que ele [o próprio] é um homem torturado que passa os dias a interrogar – a interrogar-se – e não encontra resposta para as questões essenciais que a existência lhe coloca. Que é, também, um homem apaixonado, um enamorado da beleza, esteja ela onde estiver, assuma ela as feições que assumir. E, ainda, que aspira a um mundo donde sejam banidas as injustiças e onde as crianças e todos os inocentes não sejam maltratados, humilhados, feridos, ofendidos. Alguém que, utopicamente (mas de utopias está cheia a história da humanidade), aspira à construção de uma nova idade de ouro, na qual a felicidade esteja, de facto, ao alcance do homem.” [Albano Martins respondeu por escrito às perguntas da PÁGINA / Maria João Leite - edição nº 199, série II, inverno 2012]





A Voz dos Colaboradores I

André Escórcio. Não fora A Página da Educação e o sistema educativo, a cultura e as questões sociais estariam, ainda, em situação mais complexa e angustiante! A PÁGINA tem sido a máquina inteligente que, através da palavra, tem tentado remover a pedra da incompreensão política. Uma ferramenta fundamental na perspetiva da preparação de um terreno onde possam ser lançadas as sementes de uma Educação fundada na liberdade, na motivação e na qualidade das aprendizagens. A PÁGINA tem sido, por isso, o melhor meio de formação permanente, porque condensa, alerta e desperta muitas interrogações.


António Magalhães. Sublinhar o caráter inovador do projeto editorial da PÁGINA é enfatizar o seu papel na disseminação reflexiva do conhecimento sobre a educação, colocando em diálogo a investigação com o terreno das práticas. A tradução no género jornalístico do conhecimento desenvolvido pelas diversas comunidades académicas, assente no primado da leitura e discussão compartilhadas, é uma das características que fazem deste projeto algo de único e que há que celebrar.


David Rodrigues. Gandhi dizia: “Sê a mudança que gostavas de ver no Mundo”. Este parece-me ser um bom ex-libris para A Página da Educação na comemoração do seu 25o aniversário. Nestes anos, a PÁGINA mostrou a urgência de uma Educação ligada à cultura e sobretudo comprometida com a inovação e com a cidadania participativa. Perde-se tempo quando não se lê a PÁGINA e, nestes tempos de incerteza, que duram pelo menos desde o princípio do Mundo, quero desejar à PÁGINA energia e ânimo para continuar a ser o que sempre foi: inconformada, inspiradora e solidária.

Henrique Vaz. Há uns anos (10, 11, talvez), o José Paulo Serralheiro falou comigo pessoalmente para me convidar a escrever uma rubrica regular na PÁGINA. Na altura, senti um imenso orgulho, mas também alguma estupefação pelo facto de me convidar – porquê, pensava eu – e por me incluir numa rubrica designada “impasses e desafios”. Gostei. Gostei mesmo, senti-me identificado. Na altura, já conhecia a PÁGINA há algum tempo, mas não desde os seus inícios. Para mim, a PÁGINA não é desligável daquela figura de barba branca, serena, indagadora para além de si, capaz de ver no meu campo de cegueira, inteligente e projetada num tempo que ele próprio desconheceu. A leitura a que me obriguei, entretanto, mais atenta, mais cuidada, mais participativa desvendou-me o espaço do sentido da escrita sobre a educação, não resolutiva, mas problematizante, incomodada até. Deixou-me o sentimento, até, do repetitivo, mas do necessário dizer através deste instrumento que nos encontra numa leitura em espaços esconsos, de reserva, de privacidade, de tempo sem tempo. A PÁGINA não significa grande coisa no número 32, mas significa na sua temporalidade aquilo que o número 32 anuncia. E até o repetitivo pode anunciar resistência, inconformismo, recomeço, luta. Essa é a PÁGINA que trago comigo!


Ivonaldo Leite. Estreitei contacto com a PÁGINA através de José Paulo Serralheiro, de saudosa memória, em fins dos anos 1990. Vivendo no Porto, por razões de investigação, escrevi um artigo para o então jornal A Página da Educação, e de seguida ele me formulou o convite para ser colaborador regular. Daí decorreu uma frutífera amizade e colaboração, permitindo-me testemunhar de perto o valioso contributo que a PÁGINA tem dado, ao longo dos anos, para o debate educativo no mundo de língua portuguesa, com significativos reflexos deste lado de cá do Atlântico.

José Antonio Caride. La educación en miles de páginas. Eso es, 25 años después, como pasado y futuro, A Página da Educação. Un quehacer cívico, pedagógico y social hecho relato: la razón incómoda y el sentimiento inquieto acerca de la educación que tenemos y deseamos. Escrituras y lecturas comprometidas en la construcción crítica, compartida, reivindicativa y transformadora de la educación posible y necesaria. Luz en la oscuridad de un mundo desbocado.


José Miguel Lopes. Há 14 anos que sou colaborador regular d’A Página da Educação, por honroso e simpático convite do saudoso José Paulo Serralheiro. Sinto orgulho em participar num projeto de grande relevância no campo educacional e não só. Leio sempre com entusiasmo os artigos, reportagens e entrevistas que fizeram e fazem da PÁGINA um espaço educacional que sempre se pautou pela edificação de uma escola democrática e inclusiva. A revista afirma-se como um veículo de enorme relevância para professores, estudantes e pesquisadores.


João Teixeira Lopes. Ao longo dos anos, a PÁGINA tem cumprido dois objetivos fundamentais: dar conta das novidades em termos de política educativa e pensamento crítico e, por outro lado, aprofundar temas que constituem autênticos dossiês de referência. Em simultâneo, ficamos a conhecer os protagonistas deste combate infinito por uma educação mais justa e capaz de vencer a hegemonia do conservadorismo vigente, tão mergulhado nas falácias do mérito, dos rankings e da competição entre pessoas e dentro das instituições. Em certa medida, no fio das várias edições, vislumbra-se um horizonte de utopia, não como algo de inatingível e etéreo, mas enquanto dimensão palpável, realista e gradativa que, passo a passo, edição após edição, na acumulação da troca de saberes, nos entusiasma e une, apesar das salutares diferenças de perspetiva.


Leonel Cosme. Vendo, ouvindo e lendo (repetindo a grande Sophia) como há décadas os titulares do pelouro da Educação não acertam num modelo capaz de responder às exigências e responsabilidades intemporais de formar os futuros grandes e pequenos filhos da Nação, todos igualmente destinados a vencer os imperativos do tempo e do espaço em que vivem, a missão de um órgão da comunicação social como A Página da Educação, pelo que representa no debate de ideias e no acúmulo de experiências, continua a ser a mesma que iniciou há 25 anos: perseverar na campanha infindável da Educação.





A Voz dos Colaboradores II

Licínio C. Lima. A PÁGINA inscreve-se na melhor tradição da imprensa pedagógica e é um dos mais conseguidos exemplos de longevidade, diversidade e cosmopolitismo. Tem sido notável a sua capacidade de afrontar as dificuldades, de resistir à erosão do tempo, de se reinventar. É difícil imaginar a educação em Portugal sem a PÁGINA, sem a capacidade de combinar vigor crítico, teoria educacional, capacidade reflexiva.

Luís Souta. Escrevi o primeiro texto para o jornal A Página da Educação em maio de 1992. Nestes 25 anos, a colaboração foi ininterrupta: publicaram-se 115 textos meus (dei-me ao trabalho de os ir contar). Esta tem sido a minha primeira casa editorial. Mas nos últimos anos, sinto a falta das longas conversas telefónicas mensais com o José Paulo Serralheiro – conhecera-o em 1989, quando organizámos o fórum ‘Impasses e Novos Desafios na Formação de Professores’. Telefonava-me a partilhar novidades, resistências, ideias de futuro, e a pedir sugestões de novos colaboradores para o ‘nosso’ jornal. Ecletismo, abertura à diversidade de opiniões e total empenhamento neste projeto eram traços fortes deste Amigo único que trago comigo no coração.

Luís Vendeirinho. Não é fácil sobrevivermos, nos dias de hoje. Sobretudo quando temos voz e a sua expressão é reflexo da liberdade. Não há a pretensão do elogio da opinião individual de todos aqueles que na PÁGINA têm encontrado a sua janela. A virtude estará no coletivo e no cimento que tem vindo a permitir, à revelia de preconceitos e dogmas, darmos um pouco de inteligência às reflexões e dizermos um modo de sentir este ente tão importante, senão essencial, que é a Educação tida como veículo para uma sociedade fraterna, imperfeita, mas consciente das suas fragilidades.

Miguel Santos Guerra. Con gratitud, admiración y afecto, doce rosas para PÁGINA en el 25º aniversario. Una rosa de admiración porque, casi de la nada, se ha mantenido durante 25 años un proyecto educativo tan hermoso. Una rosa de optimismo porque, a pesar de las dificultades, mira hacia el futuro. Una rosa de alegría por ese puñado de autores y autoras que comparte generosamente sus ideas. Una rosa de entusiasmo porque mantiene su línea de compromiso ético inquebrantable. Una rosa de ilusión porque en cada número se produce un paso de progreso. Una rosa de esperanza para que el conocimiento nos haga mejores personas. Una rosa de admiración para quienes han estado al frente del proyecto dándonos un ejemplo de coraje y de perseverancia. Una rosa de creatividad para quienes perfeccionan número a número esta revista maravillosa. Una rosa de ánimo para seguir adelante sin desaliento con la revista y los libros. Una rosa de felicidad porque las ideas de la PÁGINA llegan a miles y miles de docentes como una lluvia de primavera. Una rosa de gratitud para quienes leen asiduamente la PÁGINA. Una rosa de felicitación por lo que la PÁGINA ha hecho por la educación y la sociedad.

Pascal Paulus. Depois de 25 anos de A Página de Educação no panorama editorial e jornalístico português, podemos ter pelo menos uma certeza – continuamos a precisar da PÁGINA nos próximos 25 anos. Parabéns a toda a equipa resistente e resiliente que a mantém com a qualidade à qual nos foram habituando.

Petronilha Silva. Nos primeiros anos deste século fui apresentada a José Paulo Serralheiro por Nilda Alves, durante um ciclo de debates sobre educação que esta organizara na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Conversamos, trocamos idéias, confrontamos posições; parecíamos companheiros desde havia tempos. Convidou-me ele para escrever um texto para A Página da Educação. Desde então, a cada ano, Sílvia Enes renova o convite que sempre aceito, com alegria e compromisso. A Página da Educação é uma fortaleza para nós, professores, que entendemos o fazer pedagógico como ato político dos mais relevantes; que vemos instituições de ensino como lugar de aprendizagens compartilhadas e de ensinos mútuos; que entendemos o educar-se e o educar como movimentos fundamentais para constituirmo-nos cidadãs, cidadãos de uma sociedade equânime, solidária e, por isso, democrática. Costumo dizer que somente um sindicato de professores – o Sindicato dos Professores do Norte – teria a energia, os princípios e a coragem para instigar e apoiar ações pensamentos que visam a romper com as tristes heranças que a colonização de territórios e mentes nos deixou. Há muito que celebrar nesses 25 anos. Que energias sejam sempre renovadas para construir outros muitos anos.

Raquel Goulart. Há 11 anos frequentando este espaço, que ora faz 25, penso nas muitas tentativas de diálogo Brasil-Portugal, com as suas mais diversas questões e especificidades. Não há como dimensionar o que encontrou eco além-mar, mas o movimento tem sido bastante significativo para mim. Por esta razão, espero que as tentativas de aproximação, de semelhanças e diferenças não parem por aqui.

Ricardo Vieira. Escrevo regularmente n’A Página da Educação desde 1997. Há 20 anos, portanto. Textos que vieram a circular em papel de jornal e, mais tarde, em vários livros resultantes do aprofundamento de algumas ideias aqui germinadas. Esta nossa querida revista, que já foi jornal mensal, comemora 25 anos de muita vida, muita discussão, muito debate, muito diálogo inter e intraprofissional bem como intercontinental. A PÁGINA tem constituído, assim, um elo de ligação entre os profissionais da educação, das ciências sociais e humanas, e entre países de língua lusófona, uma vez que escritores e leitores se encontram a partir de todas as margens do Atlântico. Investigadores, educadores, professores e outros profissionais sociais têm aqui feito muita troca de ideias e até ensaio e início de muito texto científico e de livros cujas sementes aqui foram lançadas, também. Por isso tudo, considero a PÁGINA um espaço de diálogo, de liberdade, de democracia e de criatividade. Este jornal, tornado revista, que atravessou águas de bonança, águas agitadas e águas muito viajadas, construiu momentos de glória por parte de uma grande equipa coordenada, primeiro, pelo saudoso professor Paulo Serralheiro e, depois, pela doutora Isabel Baptista, está de parabéns. 25 anos é muito tempo a acreditar, a sonhar, a criar e a realizar cultura. Parabéns a todo o corpo redatorial, a todas e a todos os colaboradores, bem como a todas e a todos os leitores.

Rui Tinoco. Penso que A Página da Educação é hoje um espaço incontornável no que diz respeito à reflexão sobre temas pedagógicos e educativos. E é, antes de mais, uma reflexão globalizante e multidisciplinar. A educação é, de facto, um ótimo lugar para olhar o mundo. A riqueza desta visão é, sem dúvida, indissociável da figura de José Paulo Serralheiro. A sua perspetiva multidisciplinar da educação constituiu-se numa matriz incontornável deste projeto. Foi assim, pela sua mão e pela de Luís Fernandes, que em 2002 me iniciei no género nobre e fascinante do artigo de opinião. Verti para esse formato as minhas preocupações em termos de comportamentos aditivos no grupo de escrita Estados Translúcidos e mais tarde no de Saúde Escolar, que atualmente integro. Tive também oportunidade de testemunhar a passagem do formato jornal para o formato revista. Esta é uma herança querida, que cumpre estimar. Feliz aniversário!





Reportagem - Página 205

À entrada, uma fotografia de grandes dimensões de Abel de Lima Salazar, nascido em Guimarães a 19 de julho de 1889. As mãos nos bolsos e na boca um cigarro – Abel Salazar haveria de morrer em 1946, aos 57 anos, devido a um cancro pulmonar. Demasiado cedo para quem, ainda assim, deixou tanto. A vida e a obra deste artista, investigador, cientista, escritor – anarquista científico, como disse que poderia ser classificado – pode ser visitada na Casa-Museu Abel Salazar (CMAS), situada na rua com o seu nome, em São Mamede de Infesta (Matosinhos). [Reportagem de Maria João Leite e Fotografias de Ana Alvim - edição nº 205, série II, verão 2015]





David Rodrigues à PÁGINA 202

"O que nos mostram os estudos transnacionais é que os bons sistemas educativos são aqueles que ao mesmo tempo são capazes de criar a excelência e também a equidade. Qualquer sistema educacional fraco ou insuficiente consegue criar excelência. É muito fácil criar bolsas de excelência. O que é realmente difícil é conseguir equidade, isto é, conseguir que as características e as circunstâncias de cada um dos alunos não originem o tratamento desigual em termos educativos." [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 202, série II, inverno 2013]





Manuel Jacinto Sarmento à PÁGINA 201

O que esta ideologia realmente pretende é afunilar as oportunidades escolares através da atualização de vias educativas. Esta é, de facto, a grande questão da reconstrução da Escola segundo o paradigma neoliberal – aqui, com orientações claramente cruzadas com orientações neoconservadoras. Há aqui uma aliança ideológica, digamos assim, que encontra frequentemente os mesmos protagonistas: por um lado, a privatização do serviço de acesso à educação e, por outro, o regresso à Escola das elites do passado e ao fosso dos processos de seletividade escolar.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 201, série II, outono 2013]





António Pinho Vargas à PÁGINA 195

“Não haver um ministério, mas uma Secretaria de Estado da Cultura, é apenas uma desvalorização simbólica. Preocupo-me mais com a forma como se põem a funcionar os equipamentos culturais que pertencem ao Estado e como se considera a atribuição dos subsídios às pequenas instituições e aos grupos das diferentes áreas culturais, como o teatro ou o cinema. Os cortes que agora estão a ser executados vão pôr em causa muito trabalho cultural em todo o país”. [Entrevista conduzida por José Paulo Oliveira - edição nº 195, série II, inverno 2011]





Teresa Maia Mendes à PÁGINA 193

“Eu não abdico de dizer que sou professora. Nunca abdiquei. Quando, em 74, a Segurança Social queria acabar com os professores e pôr todos como técnicos, porque ganhavam mais 100 paus, nós fizemos uma bulha desgraçada e dissemos que éramos professores, tínhamos uma profissão e não abdicávamos dela. Portanto, eu sempre me senti professora, e não admito que alguém diga que, porque se aposentou, deixou de ser professoraMas, neste momento, sinto-me mais sindicalista.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 193, série II, verão 2011]





Regina Leite Garcia à Página 103

Regina Leite Garcia iniciou-se na profissão docente como professora primária, tarefa que desempenhou ao longo de quinze anos. Mais tarde, torna-se pesquisadora e escritora e participa em movimentos sociais como o dos Trabalhadores Sem Terra e outros mais direccionados para as questões da escola e da universidade. Pós-doutorada pela Universidade de Londres, trabalhou no Institute of Education e na Universidade de Wisconsin-Madison. Voltou para o Brasil para cocncorrer a professora titular em alfabetização. [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 103, junho 2001]





ELENA THEODOROPOULOU à página 199

“O que devemos esperar da Educação é que, sendo capaz de alterar os conceitos, os valores, os referenciais, possa representar um papel transformador, um papel inovador nas sociedades. Se há uma crise de sentido, nós não respondemos a essa crise com respostas prefabricadas. Não se está a ousar colocar a questão crucial e não se ousa dizer que não se tem a resposta. Nós perdemos a nossa juventude, porque todas as respostas estavam já respondidas; mas, no meu ponto de vista, o défice não está tanto nas respostas, mas nas questões.” [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº199, série II, inverno 2012]





JAIME CARVALHO E SILVA à página 192

"Os tempos que correm não são fáceis, mas noutras épocas também já houve problemas graves e as pessoas conseguiram ultrapassá-los. Sozinhos pouco conseguiremos fazer. Trabalhando uns com os outros, nas escolas, nas associações (como a Associação de Professores de Matemática ou a Sociedade Portuguesa de Matemática) poderemos fazer muita coisa. O ensino da Matemática é essencial na sociedade actual, pelo que os conhecimentos que os jovens possam adquirir são essenciais a uma vida de cidadão mais completa e mais proveitosa. Os professores de Matemática precisam de estar conscientes do importantíssimo papel que desempenham na formação dos jovens." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 192, série II, primavera 2011]






ARIANA COSME à página 190

“Quando falo do professor como interlocutor qualificado, falo de um professor que é capaz de se ler enquanto profissional a partir da prática que desenha na sua sala. Professor qualificado é o que se organiza para responder à questão o que é que eu espero dos meus alunos?. Que antes de dizer o que vai fazer, é capaz de pensar o que espera dos alunos, o que é suposto eles aprenderem com ele, o que é suposto fazer com eles durante o mês seguinte ou a próxima hora. Quando consegue pensar desta maneira a sua relação com os alunos, o professor está disponível para pensar novas formas de se adaptar à comunicação, à rede de trabalho, a propostas de trabalho… Há professores que não abdicam de trabalhar assim. É difícil? É, mas é possível.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 190, série II, outono 2010]





Domingos Fernandes à PÁGINA 194

“Eu penso – e sei que este pensamento não é propriamente o mais comum – que este é um momento de grande oportunidade para o sistema educativo português. Mas, naturalmente, é um momento de oportunidade se nós tivermos um pensamento sobre a Escola, um pensamento sobre a Educação, um pensamento sobre o sistema educativo e como é que o podemos e devemos desenvolver, identificando clara e inequivocamente as áreas, os domínios, em que é fundamental investir nos próximos anos. Penso que não será a troika, ou outra estrutura supra-nacional qualquer, que nos pode impedir de desenvolver determinadas políticas. É evidente que não ignoro que há constrangimentos financeiros, que todos conhecemos e que podem não nos permitir desenvolver as coisas de uma determinada maneira. Por isso, temos que ser inteligentes e criativos, e ter as pessoas mobilizadas”. [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 194, série II, outono 2011]





Isabel Pires de Lima à Página 194

“Se, ao nível do ensino, não cruzarmos o incentivo ao desenvolvimento do pensamento cognitivo com o incentivo ao desenvolvimento do pensamento emocional (designadamente, através das artes e das manifestações de Cultura no sentido variado do termo), provavelmente não conseguimos ter sucesso ao nível da Educação de cidadãos capazes de reconhecerem, por exemplo, aquilo que são as narrativas éticas que ainda orientam as nossas comunidades. Estamos permanentemente a dizer que se perderam valores, que os jovens não reconhecem os valores que organizam a comunidade – ora, o reconhecimento desses valores faz-se muito através de um desenvolvimento equilibrado entre pensamento emocional e cognitivo”. [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 194, série II, outono 2011]





MIGUEL SANTOS GUERRA à PÁGINA 192

Com paixão. É assim que Miguel Ángel Santos Guerra vê a profissão docente. E o colaborador da PÁGINA sabe do que fala. Leonês de nascimento emalagueño por adopção, tem um currículo invejável: leccionou em todos os níveis de ensino e dirigiu escolas; diplomado em Psicologia e em Cinematografia, doutorado em Ciências da Educação, é catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade de Málaga e dirige o Grupo de Investigação HUM 0365, da Junta da Andaluzia. Pedagogo reconhecido internacionalmente, colabora com diversas publicações e editoras, em Espanha e no exterior, e tem publicados inúmeros artigos e diversas obras de referência sobre organização escolar, avaliação educativa e formação de professores. Mantém um blogue (http://blogs.opinionmalaga.com/eladarve) onde vai tecendo considerações e partilhando experiências. [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 192, série II, primavera 2011]





JOSÉ HERNÁNDEZ DÍAZ à PÁGINA 191

El acceso a los bienes de la Educación y de la escuela obligatoria de millones de ciudadanos ha generado nuevos problemas de orden cuantitativo, y sobre todo cualitativo. Ello obliga a un tratamento científico de las nuevas circunstancias, com criterios de firme racionalidad. No es suficiente lo que entonces se conocía como la vocación pedagógica, la pedagogía del amor, de la paciencia, aunque todas estas formas de educar sean instrumentos imprescindibles en un proceso educativo. Hay que saber añadir el valor especial que representa la actuación pedagógica planteada con la necesaria racionalidad, formación, espíritu científico, crítico en definitiva. [Entrevista conduzida por José Paulo Oliveira - edição nº 191, série II, inverno 2010]





Florival Lança à PÁGINA online

"O Mato Mata” é um romance de Florival Lança que, recorrendo à sua experiência no teatro de operações, traça o retrato do que foi a guerra colonial portuguesa e das suas consequências reais. São várias as personagens que vivem nesta história, engalanada pelos cenários da magia africana e do feitiço angolano, palcos de momentos de miséria, de dramas intrínsecos ao conflito e dos traumas que roubam horas de sono, mas também de momentos de riqueza humana e de amizade sem limites. [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição online]





Manuela Esteves À PÁGINA 187

"O trabalho dos professores deveria contemplar a realização de trabalhos de natureza investigativa, colaborativa – porque estes trabalhos ganham sentido quando são feitos por grupos de professores, e não individualmente, sendo muito difícil nestes casos manter o estímulo e o incentivo para continuar. Nas escolas deveriam existir grupos de trabalho, comunidades de professores interessados em resolver o mesmo tipo de problemas: a indisciplina, a dificuldade de aprendizagem, entre outros..." [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 187, série II, inverno 2009]





ABEL MACEDO À PÁGINA 187

A memória social e profissional dos professores é um tema geralmente pouco tratado, mas fundamental para compreender a história da profissão e para a afirmação da identidade docente. E foi o ponto de partida para uma entrevista com Abel Macedo. Ao longo da conversa, oportunidade para abordar, também, as recentes movimentações dos educadores e professores portugueses em defesa da sua dignidade profissional e para questionar o papel dos sindicatos na sua afirmação perante a opinião pública. Abel Macedo é co-coordenador do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) – a cuja comissão instaladora pertenceu, em 1982 – e membro da direcção desde 1985. Integra o Conselho Nacional e o Secretariado Nacional da Fenprof e, em representação desta, é coordenador da CPLP-Sindical da Educação. [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 187, série II, inverno 2009]





MANUEL ANTÓNIO SILVA à PÁGINA online

"Hoje, pelo menos do ponto de vista académico, não existe nenhuma razão para que haja diferentes tipos de identidade [docente]: hoje, todos os professores têm obrigatoriamente um mestrado, e desde ‘98 todos tinham obrigatoriamente uma licenciatura. Mas persiste outro aspeto, que é o caráter mais ou menos complexo da atividade docente – os do Ensino Secundário acham que o seu trabalho é mais complexo do que o do 1º Ciclo, e vice-versa. Esta competição existe, é real." [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição online]





Olga Pombo à Página 195

“Apesar de tudo, ao professor é dado um espaço próprio, que é a aula. E embora as pedagogias tendam a diminuir a sua importância, eu acho que o espaço da aula é uma clareira. É um lugar muito importante e muito bonito. Fechar a porta de uma sala e ter lá dentro 20 ou 30 crianças e um professor mais velho é um fenómeno muito estranho, em que muito pouca gente pensa. E quando o professor fecha a porta da sala e diz “agora vamos começar a nossa aula”, há aqui uma espécie de oportunidade.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 195, série II, inverno 2011]





Viriato Soromenho-Marques à página 197

“Os únicos ‘milagres’ são políticos, mas não acontecem por acaso. Eu acredito que a política transforma em visível a força de vontade que emana do coração das pessoas. Ou seja, a política deve ser a visibilização da ética, da boa vontade, da vontade moral. Porque só ética retórica não chega a parte nenhuma. Aquilo que faz a transição de uma ética, de uma vontade forte, para as instituições políticas, para as boas leis, é cada um de nós perceber que chegámos a um ponto em que temos de entrar diretamente na ação; não podemos pagar a alguém para fazer isso por nós, temos de meter as mãos no barro, porque há gente que as vai sujar na lama.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 197, série II, verão 2012]





Carlos Ferreira à PÁGINA online

Carlos Ferreira é o organizador de «40 Vidas por Abril», que reúne testemunhos que retratam a vida antes do 25 de Abril de 1974. À PÁGINA, "Gostava muito que este livro chegasse às escolas, porque a juventude sabe pouco deste período negro, tão nefasto, tão sombrio e que fez mal a tanta gente". [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição online]





Carlinda Leite à Página 199

“Não podemos ignorar que existe um desentusiasmo dos professores, só não vê quem não quiser. E não porque os professores não gostem da sua profissão – estou em crer que é precisamente porque gostam e lhes desagrada a mudança contínua. Um exemplo concreto: a legislação sobre a organização curricular determinava que as escolas e os professores tinham de conceber projetos em função das competências. Vem uma medida e já não são só as competências; são as metas, e algumas escolas começaram a reorganizar os planos curriculares em função das metas. Vem outra medida e as metas estão acabadas; aquele trabalho fica anulado. E agora já são outras metas e nem sequer se pode falar em competências...” [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 199, série II, inverno 2012]





Sérgio Niza à Página 198

“O Ministério da Educação e Ciência é de uma ignorância que faz medo: os avanços e recuos, o desnorte na organização das escolas, nos concursos, nas metas ideologicamente hipermarcadas… E de um revivalismo inquietante – quando nos Estados Unidos se utilizam standards, aqui estabelecem-se metas por objetivos, com taxonomias inspiradas nas de [Benjamin] Bloom, da pedagogia por objetivos, de má memória… Dizem que os professores têm liberdade metodológica, mas contam com os diretores dos agrupamentos disponíveis para uniformizarem o que os professores hão de fazer… Enquanto tivermos uma fresta para respirar liberdade, temos de usá-la na escola. E temos de ousar fazer diferente. Porque o que temos vindo a fazer é muito parecido com o que Nuno Crato quer que se faça agora – podem os professores não gostar, mas é absolutamente verdade.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 198, série II, outono 2012]





António Nóvoa à página 187

"Não nascemos professores. Tornamo-nos professores através de um processo de formação e de aprendizagem da profissão. Há dois momentos fundamentais que têm sido ignorados ao longo das últimas décadas, o que revela bem a confusão que hoje existe nas políticas e nos programas de formação de professores. O primeiro corresponde à entrada num curso que habilita para a docência. O actual processo, burocrático e administrativo, não faz qualquer sentido. É urgente introduzir um recrutamento mais individualizado, que permita perceber as inclinações e as disposições de cada um para o ensino. E é preciso criar as condições para que os melhores alunos do ensino secundário escolham a profissão docente. Ser professor não pode ser uma segunda escolha.  O outro momento é a transição de aluno-mestre (de aluno que aprende para ser mestre) para professor principiante. Os primeiros anos de exercício docente são absolutamente decisivos." [António Nóvoa respondeu por escrito às perguntas da PÁGINA - edição nº 187, série II, inverno 2009]





Paulo Santiago à Página 198

“A afirmação da liderança pedagógica das escolas é uma reforma com bastante impacto noutros países, mas que em Portugal, apesar do progresso que já se fez, ainda está pouco desenvolvida. O que constatámos é que há pouca autonomia e que as lideranças tendem a acentuar a componente administrativa. Defendemos que são necessários líderes pedagógicos e maior autonomia para essa liderança, porque nas escolas tem de haver capacidade para liderar um projeto pedagógico, para conduzir uma equipa, para fazer feedback da melhoria das práticas, etc.” [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 198, série II, outono 2012]





ADALBERTO DIAS DE CARVALHO à PÁGINA 193

Um dos mais antigos colaboradores da Página e autor de vária obra nos domínios da educação e do trabalho social, Adalberto Dias de Carvalho é doutor em Filosofia da educação, catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, professor convidado da Universidade de rouen (França), presidente da Sociedade de Filosofia de educação de Língua Portuguesa e coordenador do observatório da Solidão, que funciona no âmbito do Centro de Investigação Interdisciplinar e de Intervenção Comunitária, do Instituto Superior de Ciências empresariais e do Turismo (ISCeT), no Porto. A ideia de estudar a solidão surge da confluência de duas áreas de interesse para Adalberto Dias de Carvalho: a exclusão e a intimidade, que têm em comum o fenómeno da solidão. e o que é a solidão, afinal? [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 193, série II, verão 2011]





Angelina Carvalho à PÁGINA 131

“Gostaria de relembrar aos fazedores de opinião que devem ser mais sérios nas acusações que dirigem e nas afirmações que deixam passar para a opinião pública. Aos professores, sobretudo os mais jovens, que, tendo consciência da condição precária que é, neste momento, o próprio acto de estar numa escola, tentassem perceber que quando se sugere uma atitude de reformação e de reflexão dos contextos pedagógicos seria importante que eles próprios assumissem essa postura (...). De facto, a escola atravessa um momento difícil, mas não é regressando à escola do tempo dos nossos pais que se resolve o problema, porque essa escola já não existe e essa sociedade também não. É preciso encontrar soluções novas para novos problemas.” [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 131, série II, fevereiro 2014]





MIA COUTO À PÁGINA 202

“A vida, ou melhor, as vidas que disputam uma única criatura. É isso que me inspira: a infinita briga entre sermos um só e sermos plurais e cheios de potencialidades para a alteridade. Esse conflito está presente em cada pessoa, seja ela escritora ou não. Se quisermos, se tirarmos prazer disso, somos todos capazes de surpreender essa multiplicidade de histórias que há em cada um de nós. O importante não é tanto escrever, mas criar histórias. Essa capacidade faz-nos mais humanos, mais felizes, mais coletivos.”  [Mia Couto respondeu por escrito a questões colocadas por Maria João Leite - edição nº 202, série II, inverno 2013





Rogério Fernandes à PÁGINA 188

“O nacionalismo no período republicano tem uma característica diferente da que veio a ter com o fascismo: a ideia de que a universidade e a escola, em geral, devem colocar-se ao serviço dos grandes problemas nacionais e tomar essas questões como eixo da actividade de investigação e de ensino, isto é, de que se deve pesquisar e ensinar em ordem a achar resposta para os problemas do país. É sobretudo o republicanismo positivista que inspira esta concepção. Mas a questão da educação popular ultrapassa o republicanismo. Fora do ensino oficial, por exemplo, aparecem as universidades livres e populares, muitas vezes de teor anarquista”. [Entrevista conduzida por Ricardo Jorge Costa - edição nº 188, série II, primavera 2010]





Valter Hugo Mãe à página 197

“As mães são indivíduos capazes de um afeto mais incondicional e acho que a maternidade é a experiência mais absoluta da humanidade. Por isso acho que as mães são o ser humano escolhido; os pais, ou os homens, são a parte desfavorecida da humanidade, porque temos direito a uma experiência humana muito menos intensa, muito menos absoluta. A palavra Mãe no nome de um homem significa que um ser humano perfeito teria de ser completo ao ponto de englobar tudo, e isso é uma utopia.”  [Entrevista conduzida por Maria João Leite - edição nº 197, série II, verão 2012]

 





FÁTIMA VIEIRA à PÁGINA 200

“A utopia é sempre rutura com o presente. Nós costumamos falar em discurso ideológico, que é o discurso dominante, e discurso subversivo, que é o discurso utópico. A utopia tenta sempre transformar e, ao transformar, tenta sempre romper com o presente. E é importante que se mantenha sempre esta ideia de rutura com o presente, porque a partir do momento em que a utopia se transforma em ideologia, deixa de ser utópica. Daí o interesse, até, em que as utopias não sejam verdadeiramente concretizadas, na medida em que sejam constantemente reformuladas. Porque a partir do momento em que a utopia é realizada, torna-se estática. E a utopia é exatamente ao contrário.” [Entrevista conduzida por António Baldaia - edição nº 200, série II, primavera 2013]





Nuno Higino à Página online

“O Animal Eólico do Corpo”, o último livro de poesia de Nuno Higino, lançado em 2008, foi um dos escolhidos para inaugurar a coleção Laberinto de Saudade, da Editorial Amargord (Madrid). Um reconhecimento que foi um “perfeito acaso”. Natural de Felgueiras, Higino foi professor de Português e, durante anos, pároco em Marco de Canaveses. Entretanto, deixou a vida religiosa e voltou a ser professor. O ideal seria viver da poesia, mas é difícil. “Somos um país que tem muitos poetas e poucos leitores de poesia”.  [Entrevista de Maria João Leite - edição online]


  
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