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A Página da Educação é uma revista semestral. Propriedade da PROFEDIÇÕES, Lda.

Edição em papel

004. “Com o que temos p´ra nos dar...” Ana Brito Jorge

006. PEDRO SILVA

“A relação Escola-Família é estruturalmente desigual, sobretudo para famílias de meios populares. (…) A capacidade de informação e de intervenção das famílias relativamente à escola varia significativamente conforme a sua origem sociocultural e é desse ponto de vista que eu julgo que uma das chaves possíveis de leitura para entender a relação Escola-Família e comunidade é entendê-la como uma relação entre culturas, sabendo que a própria relação entre culturas é desigual, é uma relação de poder, é uma relação social.” Entrevista conduzida por António Baldaia

016.Sobre a violência nas escolas

A violência acontece em escolas públicas e privadas, com alunos de qualquer estrato sociocultural e em diferentes graus. Em todo o caso, o fator sociedade é determinante. José Rafael Tormenta

018.Do quotidiano escolar à autonomia e flexibilidade curricular

A autonomia arrasta uma deslocação da centralidade disciplinar para uma centralidade organizacional e relacional, o que pressupõe um trabalho de cooperação e subordinação a uma lógica de conjunto. Manuel Matos

020.Práticas que ensaiam caminhos…

Pesquisa sugere que as práticas estudadas constituem dinâmicas de ação coletiva organizada que mudam a relação de jovens, famílias, professores e técnicos envolvidos com a escola. Fátima Antunes

022.Pensar interdisciplinarmente, agir interprofissionalmente

É incontornável a adoção de um paradigma educacional que priorize o ser crítico, reflexivo e ético face às dinâmicas socioculturais e político-económicas. Rosanna Barros

024. Casa onde não há inclusão

A inclusão é o recurso sem o qual todos os outros perdem significado. E continuaremos a lutar para que o apoio inclusivo seja cada vez melhor, com mais vontades, mais formação, mais recursos e mais utopia. David Rodrigues

026. VI Congresso Internacional da Pró-Inclusão

Um congresso muito concorrido, com excelentes comunicações, conferências e grupos focais. Na sessão de encerramento foi aprovada a declaração final que se transcreve. David Rodrigues

027. Salamanca: a academia e o professor

Os alunos percebem que são respeitados nas suas singularidades. A sua escuta centra-se no essencial. O seu ocupado tempo chega para todos. Evangelina Bonifácio

028. Ana Paula Canotilho

A luta convicta pela liberdade e por um país mais decente e justo é o teu legado. Para ti, a dignificação da profissão docente nunca se dissociou da dignificação das escolas como espaços política e culturalmente significativos. Ariana Cosme e Rui Trindade

030. Da imprescindibilidade da ética na educação

O professor é um agente educativo e, porque é um agente educativo, tem um poder – o poder de educar. É bom que, enquanto professores, não nos esqueçamos disso. Nuno Fadigas

032. Agrupamento de Escolas de Vilela: Vamos começar a praticar ética?

Ora diga lá… Albino Pereira

Os valores existiam em documentos dispersos e já estavam implementados, mas era necessário juntar tudo num documento único. Após um ano de trabalho, nasceu a carta ética do agrupamento. Reportagem de Maria João Leite

035. Racismo na educação

Dizer piadas que desqualificam negros, indígenas, ciganos, pessoas com deficiências, meninas, mulheres, é comportamento frequente, até mesmo em estabelecimentos de ensino. Petronilha Gonçalves e Silva

036. ARMANDA ZENHAS

“É preciso prestar mais atenção ao ponto de vista das crianças. Não sei o que se passa em todas as escolas. Mas, mais ou menos, penso que não se presta a atenção necessária. O exemplo das regras: as regras que são criadas e não são discutidas com as crianças tornam-se absurdas para elas. Quando se fala de atividades, muitas vezes parece-me também que elas podiam ser organizadas em conjunto com as crianças. Mas isso nem sempre acontece.” Maria João Leite (entrevista) e Ana Alvim (fotografia)

040.SOPHIA, 100 ANOS

042.Uma vida de palavras com sabor a mar

Porto, 6 de novembro de 1919, onze horas da manhã. Nasceu Sophia de Mello Breyner Andresen. A literatura ficaria mais rica e o mundo iria conhecer uma das mais consagradas poetas. Maria João Leite

044. Sophia, uma inspiração

Cem anos passados sobre o seu nascimento, Sophia de Mello Breyner Andresen continua a inspirar miúdos e graúdos. Reportagem de Maria João Leite

046. "Escutava o crescer do tempo"

Todos os contos infantis de Sophia começam assim. Era uma vez… Pequena viagem de regresso às palavras que Sophia escreveu para a infância. Raquel Patriarca

050. Uma escritora eterna

Portefólio de alunos da Escola Secundária de Santa Maria da Feira

056. Alberto Manguel: memória dos lugares imaginários

Uma biblioteca encerra um conjunto infinito de possibilidades, na medida em que toda a realidade narrada nas páginas de um livro transcende o espaço físico desse livro. Ana Alvim

058. A potência das obras de Milton Hatoum

Com os livros podemos repensar questões importantes para a sociedade, prática necessária neste momento político brasileiro, onde o Estado não valoriza a cultura. Thamy Lobo e Renata Rocha

059. Desenvolver a sensibilidade dos alunos para o texto poético

Todas as estratégias capazes de estimular a sensibilidade são apropriadas, o interessante para isso é que seja frequentemente trabalhada para que ocorra um interesse por ela. José Miguel Lopes

060. MÁRIO CORREIA

“Claro que é importante investigar e editar, conhecer a fundo e divulgar o mais amplamente possível este património cultural imaterial de inestimável valia. E isso dá-me muito prazer. Mas, em boa verdade, o que mais gosto de fazer e o que me dá mais prazer é falar com as pessoas, recolher os seus testemunhos e histórias de vida e fazer de cada um deles um amigo, cuja porta de casa sempre me é franqueada bem ao jeito do Entre quem é! sempre e ainda tão transmontano.” António Baldaia (entrevista) e Ana Alvim (fotografia)

068. Sons da Terra, um centro vivo e transparente

O Centro de Música Tradicional Sons da Terra, em Sendim, foi criado como organismo de ação e intervenção cultural consagrado ao estudo e divulgação das músicas e cantos da tradição oral. Mário Correia

069. Jorge de Sena e o cinema

Em 1969, Jorge de Sena publicou o poema Couraçado Potemkin. Sena viu o filme em 1961. Em Portugal, só foi possível vê-lo depois do 25 de Abril, exceto em sessões clandestinas. Paulo Teixeira de Sousa

070. Novas iliteracias: novos desafios de uma educação para a democracia

Eleições nos EUA e no Brasil atestaram o poder hegemónico das redes sociais, onde a informação pode escapar ao exercício do contraditório e manipular opiniões. Adalberto Dias de Carvalho

072. Nós e os outros

A compaixão pelos irracionais não deve obliterar a compaixão pelos racionais necessitados de ajuda, que chegam a viver debaixo das pontes ou nas estações desertas dos comboios até ao último limite da pobreza e solidão. Leonel Cosme

074. O Brexit e o oportunismo silencioso

A integração diferenciada dos sistemas europeus de Ensino Superior tem vindo a contar com a conivência dos Estados-membros. Amélia Veiga

076. Não é pensando que somos

Acredito numa teleologia (ou, para ser mais preciso, uma teleonomia), pois que a árvore da vida, desde as suas raízes até ao ser humano, tem uma evolução certa: desde o menos complexo ao mais complexo. Manuel Sérgio

078. Abertura ao mundo e a novas aprendizagens

Tom viajou em outubro para o Camboja e Caché e JP partiram para São Tomé. Dani foi a Marrocos e Zacarias perdeu-se por Amesterdão, São libertos, bonecos articulados que representam reclusos, no âmbito do projeto Livre Trânsito. Reportagem de Maria João Leite

080. O menino que queria voar

Em memória desses meninos abandonados, ali personificados com eloquência, nada mais pude fazer senão escrever estas simples palavras. Luís Vendeirinho

081. O adolescer da sociedade: algumas interrogações

Estudos recentes dão conta de jovens adultos a explorarem profissões, a continuarem a universidade sem se comprometerem com decisões definitivas, sem se verem a si mesmos como pessoas adultas. Rui Tinoco

082. Falando de doenças com jovens: o sucesso da sick lit

O doente não pode falar de si, o cuidador não pode falar do luto, não podemos falar das dores e medos, e assim vivemos solitários no meio da multidão. Bruna Rocha Silveira

084. Energias renováveis: o pouco e o muito

O recurso às energias renováveis ganhou grande presença no discurso político e eco na comunicação social. A vida e a evolução humana assentaram inteiramente nelas até ao século XVIII. Rui Namorado Rosa

086. Uma espécie de TAC do ensino superior

«Pedagogia S.», de Luís Souta, é o resultado de mais de 30 anos de estudo e reflexão sobre práticas pedagógicas, mas também sobre a gestão das instituições de ensino e sobre a cultura escolar. Albérico Afonso Costa

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 “Com o que temos p´ra nos dar...”

Como entender a irreprimível inquietação que nos invade quando, uma vez mais, nos entregamos ao recorrente exercício de balanço anual?

Nem a certeza de que as etapas percorridas consumiram o melhor de nós, nem as alegrias de alguns passos dados em frente nos aquietam...

Quem vive profissional e pessoalmente ligado ao universo das escolas ou da Educação, em geral, tem, naturalmente, os olhos bem abertos para o mundo. Os sinais têm vindo a acumular-se e são preocupantes. Há mesmo sinais de alarme prestes a soar, nunca tão longe de nós que possamos fingir que não existem...

Entre nós, muitos indícios provam, também, que o tanto que já andamos é ainda insuficiente.

Não podemos ignorar as crianças e famílias que vivem abaixo do limiar da pobreza, nem quem perdeu o direito a uma habitação digna, nem as vítimas de perseguição ou exclusão social – seja por questões de origem étnica, de género, de diversidade funcional ou de outras.

Não podemos ignorar a urgência com que a defesa do clima está a impor-se, a insegurança criada pelo definhamento dos serviços públicos às populações, as visíveis consequências da falta de investimento na Educação/Ensino e na Investigação, nas carreiras das e dos profissionais do setor e no funcionamento de todo o sistema.

Inquietamo-nos, sim, porque sabemos qual a importância de uma Escola assente em alicerces sólidos, preparada, aberta para a vida e para o mundo, bem inserida na sua comunidade.

Tudo o que faz parte da vida e lhe dá sentido tem o seu lugar na Escola.

Os “Direitos Humanos” podem deixar de ser uma expressão batida e vazia de significado, tal como sucede com a Ética, a ser já “manipulada” por jovens estudantes que aprenderam a apoderar-se dela para desenharem uma escola melhor.

Chame-se todo o nosso património cultural, chame-se a música e a poesia, venham mais leituras para juntar ao conhecimento do rigor científico, escutem-se as crianças, respeitem-se as individualidades e fortaleçam-se as estruturas coletivas.

Renovem-se os espartilhos legislativos desatualizados, criem-se condições para um desempenho profissional compensador, abram-se fronteiras à autonomia e à imaginação.

O que já andamos parece pouco quando olhamos o tanto que o futuro nos exige, mas deve servir-nos de estímulo. Por pouco que tenha sido, valeu a pena. Já aqui chegámos.

Há que prosseguir a caminhada, fazendo refletir no ato educativo, em cada proposta e em cada projeto, todas as componentes que sabemos indispensáveis ao exercício e à fruição plena de uma cidadania informada, consciente e solidária.

Acreditamos que a Escola pode constituir-se em agente transformador – como já tantas vezes se provou! – e apostamos no desenvolvimento do património relacional que ela acolhe para chegar cada vez mais longe na conquista de um mundo melhor.

Esta edição contém muitas demonstrações de diversas perspetivas e diferentes olhares lançados sobre a Educação e o Ensino, ou outras áreas, mas sempre com lugar na nossa reflexão sobre o futuro do universo em que nos movemos.

Sophia e José Mário Branco estão cá, também, como que a lembrar-nos que é urgente sonhar e viver a vida com intensidade, lado a lado, “com o que temos p’ra nos dar.”

A equipa responsável por a Página da Educação deseja a todas/os as/os colaboradoras/es e leitoras/es um ano de 2020 feliz e com força para chegarem sempre mais longe!

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 […]

há sempre qualquer coisa que está pr’acontecer

qualquer coisa que eu devia perceber

porquê não sei, porquê não sei

porquê não sei – ainda

cá dentro inquietação, inquietação

é só inquietação, inquietação

porquê não sei, mas sei

é que não sei – ainda

há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer

qualquer coisa que eu devia resolver

porquê não sei, mas sei

que essa coisa é que é linda

 

JOSÉ MÁRIO BRANCO [1942-2019], “português, pequeno-burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro, (…) do porto, muito mais vivo que morto, contai com isto de mim, para cantar e para o resto.” Fotografia: Adriano Miranda/PÚBLICO

 

CAPA: Desenho original de Alberto Péssimo


  
Revista nº 214


  

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