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CiberLeitura ? Parte I

«Ler, quase tanto como respirar, é uma das nossas funções vitais.»
Alberto Manguel,
Uma História de Leitura (1999)

«A contemporaneidade está a ser profundamente marcada pelas tecnologias digitais.»
José Bragança de Miranda,
http://pwp.netcabo.pt/jbmiranda/Mestrd_05.htm (consultado a 23/10/2005).

Actualmente, vivemos numa era que nos encaminha para a globalização. A sociedade estende a todo o planeta preocupações, problemas, interesses e necessidades que promovem o entrelaçar da humanidade. Torna‑se cada vez mais impossível evitar a sociedade em rede.
Mas porquê a inevitabilidade de uma sociedade em rede?
Em breves palavras, porque a explicação dos fenómenos que se passam na natureza e na sociedade é justificada através da ligação entre os vários sectores do conhecimento. Mas nem sempre assim aconteceu.
Antes de 1500, o homem tinha uma visão orgânica do mundo. Os fenómenos da natureza eram entendidos como relações de interdependência entre causas materiais e espirituais. A realidade, por ter sido estabelecida por Deus, era sagrada; ao ser humano apenas cabia a possibilidade de contemplar a harmonia do universo.
A partir dos Séculos XVI e XVII, época marcada pelo Renascimento, pelas descobertas marítimas e pelo racionalismo, a situação alterou‑se: o mundo passou a ser entendido como mundo‑máquina. Para tal contribuíram mudanças significativas ocorridas na Física e na Astronomia, a partir de Copérnico. Galileu, Descartes e Newton surgem como autores de teorias racionalistas e experimentais que pretendem decompor o pensamento e os problemas em partes distintas organizadas segundo ordens físicas e matemáticas.
A entrada no Século XX trouxe‑nos descobertas científicas que alteraram por completo o paradigma anterior. A primeira deu‑se em 1905, quando Einstein «(?) descobriu que massa é energia e que não existe distinção verdadeira entre matéria e energia» (Moraes, 2005). «O mundo passou então a ser concebido em termos de movimento, fluxo de energia e processo de mudança» (Capra, 1997). Outras descobertas científicas contribuíram para clarificar e complementar as novas explicações dos fenómenos do mundo, nomeadamente, a Teoria da Relatividade, a Teoria Quântica, o Princípio da Incerteza e a Lei da Complementaridade. Heisenberg, Niels Bohr e Ilya Prigogine são nomes de referência científica do Século XX (Cf. Moraes, 2005).
Compreendemos, portanto, que são descobertas de carácter científico que nos levam a entender o mundo como um todo: todos os ângulos do conhecimento se (inter)cruzam e o ser humano é parte integrante dessa rede.
As citações iniciais do presente artigo marcam, objectivamente, dois temas do meu interesse, sobre os quais se têm realizado, de forma independente, diversos estudos: leitura e tecnologia digital.
A perspectiva que proponho para reflexão aproxima a leitura e as novas tecnologias, particularmente os computadores e a Internet. Hoje em dia, talvez mais do que noutras épocas, a leitura assume um papel primordial. A informação disponibilizada pela Internet, e por outros suportes informáticos e não informáticos, é tal, que se torna fundamental ter elevadas competências de leitura. Se assim não for, corremos o risco de ver fracassadas muitas das expectativas que temos para a vida.
A sociedade actual associa o mundo dos computadores, e particularmente da Internet ? o ciberespaço, a grande parte das actividades do ser humano. Por essa razão, torna‑se comum a proliferação de palavras que se iniciam com o radical ciber, o qual aponta para o espaço informático em que decorre uma dada actividade, ou seja, refere‑se a algo que se processa num computador ligado à Internet. Assim, deparamo‑nos com termos como cibercultura, ciberdemocracia, ciberliteratura, ciberarte, cibereconomia, ciberpolítica, cibercriminalidade, cibercafé, ciberenfermagem, cibernáutica, ciberpostais, entre outros.
É neste contexto que a Ciberleitura dá título a um estudo que realizei.
Pretendi apurar o contributo que as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), em particular os sites de escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico, podem prestar no sentido de motivar as crianças a ler no computador, objecto que tanto as encanta. Em 4 partes, darei conta das principais ideias deste estudo aos leitores d? A Página, sempre nas «COISAS do Tempo».


  
Ficha do Artigo
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Edição:

N.º 158
Ano 15, Julho 2006

Autoria:

Betina Astride
Agrupamento Vertical de Montemor-o-Novo
Betina Astride
Agrupamento Vertical de Montemor-o-Novo

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