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Fevereiro quente tem o diabo no ventre

Na Rússia, recomeçaram, em meados de Fevereiro, os ensaios de mísseis balísticos intercontinentais numa acção militar que terá mobilizado 250 generais e dois mil oficiais superiores. Inimigo fictício destas manobras: os Estados Unidos da América.
Leonid Ivachov, vice-presidente da Academia Geopolítica russa, revelou, a jornalistas americanos, que o ministro norte-americano da Defesa, Donald Rumsfeld, apresentou ao Senado um documento onde se admite o uso, a título preventivo, de armas nucleares contra certos países.
A Rússia será um dos países que integram a lista de Washington e Moscovo quer mostrar que está em condições de se defender, apesar de um ensaio para um lançamento de um míssel intercontinental não custar menos de 10 milhões de euros.
Uma semana antes, mais precisamente a 7 de Fevereiro, na 40.a Conferência anual sobre segurança, realizada em Munique, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Khurshid Kasuri, reafirmou a intenção de Islamabad em não ratificar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
O Paquistão (como a Índia e Israel) pretenderá o estatuto, de direito, de Estado possuidor de armamento nuclear, a par dos cinco países que já o possuem, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.  Islamabad, Nova Deli e Telavive não querem andar armados sem a respectiva licença de porte de armas.
Num outro patamar, estarão a Libia, o Irão e a Coreia do Norte, países suspeitos de desenvolverem, clandestinamente, armamento nuclear e de jogarem, no xadrez mundial, com a possibilidade de tal força. Um míssel custará mais de 10 milhões de euros mas uma nação que os possua poderá negociar melhor uma eventual moratória para a dívida externa.
É neste contexto que deverão ser vistas as negociações de paz entre a Índia e o Paquistão reiniciadas também a meados de Fevereiro. Os dois países já reestabeleceram ligações ferroviárias, aéreas e marítimas, bem como diplomáticas, embora o pomo da discórdia - o estatuto de Cachemira - esteja ainda longe de encontrar solução.
A oposição trabalhista paquistanesa tem outra visão. Farooq Tariq quer esperar pelas eleições legislativas na Índia (em Abril) e lembra que duas potências nucleares como a Índia e o Paquistão, que incentivam o fundamentalismo, não podem falar em processos de paz, especialmente quando num lado se vive em ditadura militar e noutro em regime de extrema-direita.
Neste Fevereiro que passou, estas discretas notícias, gelam mais que o frio que se abateu sobre o Carnaval português. Fevereiro quente tem o diabo no ventre.


  
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Edição:

N.º 132
Ano 13, Março 2004

Autoria:

João Rita
Jornalista, Porto
João Rita
Jornalista, Porto

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