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Comprei "A Noiva Das Astúrias"

A rádio é, de facto, a oficina da poesia. No passado dia 21, Dia da Poesia, em pessoa, guardei no ouvido, logo pela manhã, a notícia do lançamento de ?Epifanias?, o mais recente título de originais de Fernando Echevarría, uma edição ?Afrontamento? que também celebra os 50 anos de carreira literária do poeta. Descubro que a Antena 1, da Radiodifusão Portuguesa, prepara um dia dedicado aos novos poetas. Descubro, na Internet, a lista com as horas em que os poetas vão entrar no ar  (Ana Horta , José Mário Silva, Jorge Reis Sá, Henrique Manuel Bento Fialho, Rui Ventura, José Luís Peixoto, Tiago Gomes, Rui Lage, Rita Taborda Duarte, José Rui Teixeira, de novo Ana Horta e Nuno Moura ) e descubro que a selecção dos nomes pouco me diz. Sinal que ando a ler pouco poesia.
À hora do almoço, na Praça da Alimentação da minha doce rotina, troquei meio pão por meia visita à Livraria Bertrand. Comecei por recordar o discurso que Lorca proferiu aquando da inauguração da Biblioteca de FuenteVaqueros - ?Yo, si tuviera hambre y estuviera desvalido en la calle no pediría un pan; sino que pediría medio pan y un libro?. Fingindo-me desvalido também pedi um livro, mas as ?Epifanias? de Echevarría ainda não estavam disponíveis. Acabei por comprar ?A Noiva das Astúrias? de Eduardo Guerra Carneiro e tive saudades dele e do tempo em que ambos, ele jornalista no ?Diário Popular? e eu jornalista no ?Jornal de Notícias?, andamos pela margem esquerda do Guadiana, em plena Presidência Aberta de Mário Soares pelo Alentejo, a dar a notícia do cancelamento, por indisposição física presidencial, da visita a Serpa. ?Lá vai Moura, lá vai Serpa, e as Pias ficam no meio?.
?Parecia um mendigo // //  Parecia um mendigo na rua // Garrett. Depois vi melhor, à porta de sete; //vagabundo & músico. Não tinha // instrumentos. Era só assobio e a mão // que batia naquele caixotão. Parava // por vezes essa melodia: ladrava // de cão e o gato imitava. // Olhei-o nos olhos ? surpresa brilhava // ? e ele respondeu, com largo sorriso. // Retomou a música, com assobiadela: // mais pandeiro cavo no tal papelão. // Passavam caixeiros e a boa crioula, // madames e tipos, bem engravatados. // É isto, Cesário, que marca Lisboa? ?.
Até breve Eduardo & etc.


  
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Edição:

N.º 155
Ano 15, Abril 2006

Autoria:

Júlio Roldão
Jornalista do Jornal de Notícias
Júlio Roldão
Jornalista do Jornal de Notícias

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