|
Realizado a cada quatro anos, estudo HBSC pretende analisar os estilos de vida dos adolescentes em variados contextos: família, escola, saúde física, saúde mental e bem-estar, sexualidade, alimentação, atividade física, consumo de substâncias, violência, entre outros.
De acordo com o estudo Health Behavior in School-Aged Children (HBSC), realizado em colaboração com a Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma ligeira diminuição na satisfação com a vida, com um valor médio de 7,68 em 2018 e de 7,50 em 2022. O estudo, que contou com a participação de 51 países, incluindo Portugal, realizou-se já depois do período de pandemia, que condicionou alguns comportamentos. A pesquisa nacional contou com a colaboração de 5.809 estudantes portugueses, do 6o ano de escolaridade (29,5%), do 8o (33,5%) e do 10o (37%), tentando abranger o número máximo de jovens com 11, 13 e 15 anos de idade. Dos alunos participantes, 50,7% eram do género feminino. Relativamente à saúde e bem-estar, a maioria dos adolescentes portugueses considera-se feliz (72,3%), mas o número dos que se sentem infelizes tem vindo a aumentar: 14,6% em 2014, 18,3% em 2018 e 27,7% em 2022. O estudo revela que 21% dos adolescentes se sentem nervosos, 15,8% irritados ou de mau humor e 11,6% tristes quase todos os dias – sintomas que aumentaram relativamente aos resultados do estudo realizado em 2018. Há ainda 12,6% de jovens que dizem sentir-se preocupados todos os dias, várias vezes por dia. “Comparando o estudo realizado em 2018 e o presente estudo de 2022, verificamos um decréscimo na satisfação com a vida, com um valor médio de 7,68 em 2018 e um valor médio de 7,50 em 2022. A perceção de felicidade também diminuiu: em 2018, 18,3% dos participantes referiram que se sentiam infelizes e em 2022 essa percentagem aumentou para 27,7%”, lê-se no estudo.
Maioria sente-se de boa saúde
No capítulo da saúde e doença, 51,3% dos adolescentes portugueses consideram que a sua saúde está boa e 31,3% que está excelente, enquanto que, em 2018, a perceção de saúde era de 53,8% e 33,6%, respetivamente. Ainda assim, o estudo regista um aumento de adolescentes com dores de cabeça quase todos os dias (5,3% em 2018; 8% em 2022), dores de costas quase todos os dias (8,6% em 2018; 12,2% em 2022), dores de pescoço e ombros quase todos os dias (6,3% em 2018; 9,2% em 2022), com medo quase todos os dias (6,3% em 2018; 9,1% em 2022) e cansaço e exaustão quase todos os dias (17,9% em 2018; 18,8% em 2022). O estudo indica que 18,8% dos inquiridos tem uma doença, um problema de saúde ou uma incapacidade prolongada ou permanente e 76% têm um diagnóstico há mais de dois anos. A maioria (54,5%) acrescentam que essa condição de saúde implica tomar medicação e afeta a sua participação em atividades de tempos livres (29,1%), na escola (27,2%) e em atividades com a família (18,3%). A grande maioria dos adolescentes portugueses (91,1%) dormem bem, uma diminuição relativamente a 2018 (94,6%). A muitos (84,6%) custa acordar de manhã e muitos outros (64,1%) indicam dificuldades em adormecer à noite. O documento aponta que 46,2% dos jovens dormem menos de oito horas por dia durante a semana e 23,4% dormem menos de oito horas por dia ao fim de semana. Por outro lado, 55,8% dormem mais de oito horas por dia ao sábado e ao domingo. Sobre o corpo, 31,8% dos jovens inquiridos percecionam que estão com excesso de peso e 11,7% dizem estar pouco satisfeitos com o seu corpo e aparência física. O estudo aponta ainda que 11,4% dos adolescentes estão a fazer dieta. Há 11,5% de adolescentes que raramente ou nunca comem frutas, 15,5% que raramente ou nunca comem vegetais e 23,9% que raramente ou nunca comem doces. A maioria dos adolescentes refere tomar o pequeno-almoço todos os dias durante a semana (61,4%) e um pouco mais ao fim de semana (67,6%); por outro lado, 9,3% dizem ir para a escola ou para a cama com fome por não haver comida suficiente em casa – percentagem que diminuiu relativamente a 2018 (11%).
30,3% não gostam da escola
Sobre a família, a maioria considera ser fácil falar com os pais, especialmente com a mãe (83%); por outro lado, cerca de um quarto dos adolescentes inquiridos referem ter dificuldades em falar com o pai (26%). Além disso, 80,4% contam que o sítio onde vivem é bom para viver (menos 3,3% do que em 2018) e 56,2% dizem fazer todos os dias refeições em família (menos 12,6%). O estudo indica ainda que 30,7% dos adolescentes considera que é importante melhorar a comunicação entre a escola e a família. A pesquisa frisa que 30,3% dos adolescentes portugueses não gostam da escola e consideram que a matéria é demasiada (87,9%), aborrecida (87,4%), muito difícil (82,1%) e que a avaliação é um stresse (83,1%). Do que menos gostam na escola é da comida do refeitório (54,4%) e das atividades extracurriculares (28,7%). Uma parte dos adolescentes (22,4%) afirmam sentir muita pressão com os trabalhos da escola e 58,4% sentem pressão dos pais para terem boas notas. Por outro lado, a maioria (76,7%) diz sentir-se sempre ou frequentemente segura na escola. O estudo indica também que, nos tempos livres, 64,5% dos adolescentes usam o telemóvel, 51,8 % ouvem música, 38,9% pensam na vida e 35,1% dormem. 46,8% dos adolescentes raramente ou nunca leem, 70,4% raramente ou nunca tocam um instrumento e 44% não praticam um desporto coletivo – os desportos mais populares são o futebol ou futsal (38,4%), basquetebol (18,6%) e voleibol (16,6%). Muitos dos inquiridos (47,6%) dizem utilizar a internet para fugir de sentimentos negativos – hábito que aumentou relativamente a 2018 (28,6%) – e, quanto ao tempo gasto em frente ao ecrã, cerca de 43,1% partilham ou consultam conteúdos no TikTok, 38,8% trocam mensagens no WhatsApp e 37,1% preferem o Instagram.
Aumenta o número de adolescentes que não fumam
No capítulo da sexualidade, quase metade (49,1%) dos adolescentes inquiridos dizem não ter, de momento, um relacionamento amoroso, enquanto 23,5% apontam que “o relacionamento amoroso que têm de momento é das coisas mais importantes das suas vidas”, lê-se no documento. A maioria dos jovens do 8o e 10o anos de escolaridade (84,8%) revelaram ainda não ter tido relações sexuais. Dos que tiveram, 64% usaram preservativo na última relação sexual e 31,3% tomaram a pílula contracetiva. A quase totalidade dos adolescentes entrevistados (95,1%) diz não fumar – um aumento relativamente a 2018 (93,7%) – e, quanto às bebidas alcoólicas, 0,4% adiantam consumir bebidas destiladas todos os dias, enquanto 93% nunca consomem, e 0,4% bebem cerveja todos os dias, enquanto 93,8% nunca consomem. Além disso, os jovens estudantes revelam ter experimentado canábis (4%) e solventes/benzinas (3,7%). A grande maioria dos adolescentes (91,8%) conta que nunca provocou/fez bullying nos últimos dois meses na escola, nem com recurso a tecnologias/ciberbullying (95%). Por outro lado, 81,1% dizem nunca ter sido vítimas de provocação/bullying na escola, nem de cibercullying (90,6%). A saber, ainda, que 67,7% dos adolescentes relatam nunca ter estado envolvidos em lutas no último ano e que 24,6% afirmam ter tido comportamentos autolesivos pelo menos uma vez no último ano – destes, a maioria (69,5%) magoou-se nos braços. A maioria dos jovens mostra-se preocupada com o planeta e considera que é necessário desenvolver ações para promover um desenvolvimento sustentável, sendo que 56,8% garantem procurar reduzir de forma ativa problemas ambientais e 46,3% asseguram ter mudado o seu estilo de vida. Sobre a covid-19, 43,3% dos adolescentes já testaram positivo à doença e 30,8% indicaram a saúde mental como a área mais afetada pela pandemia, seguida da atividade física (25,3%) e do desempenho escolar (22,5%).
Maria João Leite
Excerto de imagem da autoria de Adriano Rangel
|