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Conferência Internacional da Fenprof: olhar, pensar e libertar o futuro

‘Valorizar a docência. Dar rosto ao futuro’. A celebrar 40 anos de existência, a Federação Nacional dos Professores promoveu uma conferência internacional com o propósito não só de assinalar a efeméride, mas, sobretudo, de refletir sobre o atual estado da educação, em Portugal e além-fronteiras.

“Quarenta anos passados, e quando se aproxima o 50.º aniversário do 25 de Abril, a Fenprof considera que se impõe uma reflexão sobre a importância do direito universal à educação – uma das maiores conquistas da nossa democracia – e sobre até que ponto esse direito se vê ameaçado pela progressiva perda de atratividade da docência, com a falta de professores qualificados a afetar já dezenas de milhares de alunos”, referiu Manuela Mendonça, presidente do Conselho Nacional da Fenprof, na abertura da conferência.
O encontro, que decorreu a 5 de maio, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa – onde tudo começou, entre 27 e 30 de abril de 1983 –, teve início com a projeção de um vídeo sobre a vida da Fenprof: a sua evolução, as lutas e as iniciativas em defesa da classe docente e da escola pública. Depois, os presentes foram convidados por Manuel Pires da Rocha a pensar a escola através das cordas de um violino, instrumento musical que ilustrou o estado da educação. E perante a necessidade de se apontar ao futuro, cantaram-se os sonhos que comandam a vida e fazem o mundo pular e avançar, de que fala o poema de António Gedeão musicado por Manuel Freire (Pedra Filosofal). De seguida, Mário Nogueira recordou o caminho da Fenprof, um percurso cheio de momentos marcantes, de reflexão, de construção, de proposição e de luta. “É esta a matriz da Fenprof!” Aludindo ao atual momento, o secretário-geral da federação garantiu que “os professores estão determinados” na sua luta e que as principais organizações que os representam “estão unidas”. Os professores e a Fenprof não desistem e têm apresentado propostas com vista à melhoria das condições de trabalho dos professores e à valorização da classe docente. São lutas do passado e do presente, “que abraçamos com os olhos postos no futuro”. Afinal, “são os professores que dão rosto ao futuro”, rematou Mário Nogueira.

“Dar um horizonte de futuro à profissão”

Foi também numa visão de futuro que se centrou a conferência de abertura, por António Sampaio da Nóvoa, professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, do qual é reitor honorário, e doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genebra) e História Moderna e Contemporânea (Universidade Sorbonne).
‘Professores: libertar o futuro!’ foi o tema da sessão, na qual Sampaio da Nóvoa referiu estarmos a viver “uma transformação profundíssima da educação e do ensino”, com muitas consequências para a profissão, e que “grande parte do mal-estar docente tem origem nas incertezas do presente e nas dúvidas sobre o futuro”. Sublinhou ainda que “um professor é um professor”, e não um facilitador, um mediador, um animador ou um tutor, e que “é preciso dar um horizonte de futuro à profissão”, que é “a mais importante e a mais necessária de todas as profissões”.
O programa da conferência promoveu, também, a partilha de experiências e de conhecimento sobre o que se passa noutros países. ‘Profissão docente: desafios à escala mundial’ foi o tema da sessão apresentada por Haldis Holst, secretária-geral adjunta da Internacional de Educação, que defendeu que para se transformar a educação é preciso que os governos aumentem o investimento num sistema de educação pública de qualidade; garantam os direitos dos trabalhadores e as condições de trabalho docentes; invistam na formação e no desenvolvimento profissional; confiem e respeitem os professores; e envolvam os sindicatos dos professores nas políticas educativas.
A conferência contou, ainda, com uma sessão sobre ‘A condição dos professores na Europa e a ação dos sindicatos’ – com Mary Bousted (NEU, Reino Unido), Sara Svanlund (STU, Suécia), Trudy Kerperien (AOb, Países Baixos) e Susan Flocken (Comité Sindical Europeu da Educação) – e terminou com Howard Stevenson, da Universidade de Nottingham, que traçou o cenário da educação em tempos de crise e abordou a importância de sindicatos fortes para fazer a mudança acontecer (‘Ativismo na Educação em tempos de crise’).
A PÁGINA conversou com António Sampaio da Nóvoa, Haldis Holst e Howard Stevenson. As entrevistas podem ser lidas nas páginas seguintes.

Maria João Leite (reportagem e entrevistas)
Ana Alvim (fotografia)


  
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