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Cultura em tempos de pandemia

O país fechou-se em casa, em meados de março, por causa da pandemia. O impacto foi brutal em diversas áreas e a Cultura não foi exceção. Espetáculos e eventos foram suspensos ou cancelados, galerias e outros espaços fecharam portas e uma boa parte do corpo artístico nacional, técnicos incluídos, ficaram sem trabalho. Para muitos, foi tempo de adaptação e de desenvolvimento de outros projetos; para muitos outros, foi tempo de luta e de sobrevivência. Para todos, uma incerteza que ainda permanece. Muitos profissionais estão sem trabalho e numa situação aflitiva.

E, embora se compreenda o panorama, “o que pode ser pior do que não ter trabalho?”, questiona o músico Manuel Cruz, num testemunho à PÁGINA, que desafiou cinco agentes da cultura a retratarem o impacto da pandemia no seu trabalho e no setor e a partilhar quais as principais preocupações e expectativas para o futuro. Participam António Capelo (ator), Manuel Cruz (músico), Manuela Matos Monteiro (diretora das galerias MIRA), Pedro Magalhães (presidente da APSTE – Associação Portuguesa de Serviços Técnicos para Eventos) e Rui Spranger (encenador e responsável pelas noites de poesia do Pinguim Café, no Porto).


FOTOGRAFIA DE ANA ALVIM 


ANTÓNIO CAPELO 
Pensar na cultura como um bem essencial

Qual o impacto da pandemia no seu trabalho? 
Se a pandemia tem impacto direto na vida de todas as pessoas, quer pessoal, quer profissionalmente, é por demais evidente que afetou fortemente o nosso setor. Apesar de tudo, surgiram propostas bem curiosas que desenham projetos que poderão ser muito válidos no futuro. Pessoalmente, não deixei de trabalhar e, curiosamente, até desenvolvi algum trabalho neste período.

Que tipo de trabalho tem realizado e que trabalhos tem agendados para os próximos tempos?
Nos últimos tempos trabalhei essencialmente no desenvolvimento prático de um projeto na Academia Contemporânea do Espetáculo, projeto esse que ficou suspenso no último ano letivo e que acabámos por concretizar muito recentemente. Além do trabalho na escola, encenei um espetáculo no Teatro do Noroeste, em Viana do Castelo. Sem esquecer o tempo de confinamento com aulas online e outro tipo de atividades de menor dimensão...

Após a quarentena, o Palácio do Bolhão reabriu as suas portas. Como tem decorrido a retoma desde então e qual tem sido o ‘feedback’ do público?
Retomámos a atividade com a estreia e consequente carreira do espetáculo ‘Lorenzaccio’, de Musset, com encenação de Rogério de Carvalho. Adequando a apresentação a novos horários, criando condições de segurança, diminuindo os lugares da sala, depois de criadas todas estas condições, o público acorreu e deu-nos, de uma maneira muito solidária, o prazer da sua companhia.

O digital é um recurso a ter em conta? Utilizaram ou pretendem utilizar esse recurso?
Temos utilizado o digital para aulas com muita frequência, temos criado podcasts e, como consequência da nossa própria experiência, será bem possível que tenhamos descoberto uma nova ferramenta para o desenvolvimento do nosso trabalho e do trabalho no nosso setor. Os tempos dão-nos lições e, da mesma maneira que seria muito positivo o mundo aprender com esta pandemia, também nós teremos de ser sensíveis a novos tempos e a novas maneiras de comunicar. A arte, como todos hoje já perceberam, faz parte da vida de uma forma muito ativa. Negar a sua enriquecedora função seria como negar a própria vida; daí que, a partir de agora, não é mais tempo de sermos olhados de lado, como uma espécie de diletantes que não têm qualquer valor. Oxalá saibamos todos ser dignos de olhar o futuro de frente para, em conjunto, construirmos futuro...

A Cultura tem sido um dos setores fortemente afetados pela pandemia. Quais as principais preocupações?
Neste momento, a maior preocupação será olhar o setor e perceber muito concretamente as suas fragilidades. Perceber quantos de nós passam tempos difíceis, acorrer e tentar debelar essas situações, mas, acima de tudo, fazer um diagnóstico muito sério de um setor que deveria, deve e deverá ser um dos setores fundamentais do nosso desenvolvimento como seres humanos e, por consequência, pensar para ele uma ideia de política pública não só de urgência, mas de alicerce futuro. Uma ideia de cultura para o país, para as populações, para que todos possamos sentir como nosso aquilo que nunca foi dos outros. Identidade, contemporaneidade, civilidade. Um país e um mundo pensado para todos por igual.
 
Que medidas gostaria que fossem tomadas por parte do Governo relativamente ao setor? O que falta fazer?
Como enunciei antes, fazer uma avaliação séria do setor e pensar uma política integrada para todos os territórios. Pensar na cultura como um bem essencial e não apenas como passatempo. Há anos que defendemos uma política cultural e se, até hoje, nunca passamos deste desejo, com os novos tempos, talvez tenhamos percebido melhor o quanto isso é necessário.
 
Que expectativas tem para o futuro próximo? 
O melhor será sempre pensar que o que nos espera é sempre melhor do que o que vivemos. O sonho faz avançar a vida e, tomando como fundamental esta ideia, o futuro faz-nos acreditar que vale a pena viver o presente. Coragem para todos!


FOTOGRAFIA DE PEDRO NASCIMENTO 


MANUEL CRUZ 
No meio do xadrez, os peões vão sendo comidos


Qual o impacto da pandemia no seu trabalho? 
O impacto é a falta dele. Mesmo que eu crie não vou poder contar com todo o corpo técnico que vai escoar o meu trabalho. Há formas individuais alternativas, mas que, de um modo geral, vão precisar da experiência profissional dos trabalhadores deste setor para haver profissionalismo e dignidade. Se não trabalhas, não ganhas, não tens para pagar, não podes contratar; logo, não trabalhas ou trabalhas precariamente.

Que tipo de trabalhos tem realizado e o que tem agendado para os próximos tempos?
O que tenho agendado é ser o mais útil possível na recuperação geral do setor. Antes de mais, tentar manter uma consciência o mais integrada possível no contexto. Não vai dar para projetar o futuro numa perspetiva tão individualista. Quando houver dinheiro, é importante não serem os mais prejudicados a fazer, como sempre, a contenção, mas que haja uma distribuição do dinheiro, contextualizada no impacto que a crise teve para os diferentes ofícios.

Com os atuais constrangimentos, como tem sido o regresso aos palcos? E qual o ‘feedback’?
Tem sido bom. Estranho, mas faz-se o melhor que se pode.

O digital é um recurso a ter em conta? Utilizou ou pretende utilizar esse recurso?
Houve uma injeção à força, adiantou o processo de conhecimento dos suportes e plataformas. Mas também deu para perceber que nada substitui nada. A complementaridade é o que interessa. Eu usei como usei, nem sei bem, também não conseguiria fugir. É essencial o uso do digital para quem trabalha dentro de um mercado.

A Cultura tem sido fortemente afetada pela pandemia. Quais as principais preocupações e os atuais desafios?
As pessoas terem trabalho. É absurdo. Entendo o panorama, mas o que pode ser pior do que não ter trabalho? Medidas de segurança, sim, educação para a pandemia, mas o trabalho não pode ser parado assim.

Que medidas deviam ser tomadas pelo Governo? O que falta fazer? 
Se eu soubesse estaria lá. Acho que a pressão político-partidária burocratiza o plano de regeneração, na medida em que a prioridade, neste momento, deveria ser os partidos cooperarem e ajudarem o Governo a dar conta do recado, em vez de aproveitarem o momento para fazer campanha política, dando aso a um boicote demagógico. No meio desse xadrez, os peões vão sendo comidos. Trabalho de campo é preciso, fora dos gabinetes. Mas o garantir da opinião pública rouba muito tempo e os meios de comunicação, de um modo geral, não ajudam mesmo nada, pelo contrário; e, no fim, claro que se faz muito pouco pelo que importa. A tal economia que, para mim, são as pessoas e que perece com o pretexto de salvar uma economia que parece prescindir delas.

Que expectativas tem para o futuro próximo? 
Sentir-me normal.


FOTOGRAFIA DE ANA ALVIM 


MANUELA MATOS MONTEIRO 
Aprendemos muito com a pandemia 


Qual o impacto da pandemia nas galerias MIRA? 
Durante o período de confinamento da primavera, encerrámos as três galerias ao público, suspendendo todas as atividades que envolviam a presença física. Considerámos, então, que teríamos de continuar a existir no território virtual, desenvolvendo diversas atividades online, o que nos permitiu manter um registo de trabalho intenso e produtivo. Refletimos no mundo virtual a atitude que temos no mundo físico: promoção das produções culturais e artísticas tão necessárias para o equilíbrio humano individual e social, sobretudo numa situação de crise como a que vivemos.
 
Após a quarentena, como tem sido a retoma? 
Temos o privilégio de ocupar espaços muito amplos e arejados. Por isso, logo que o confinamento foi levantado, retomámos as atividades: inaugurámos três exposições em cada mês, temos realizado vários lançamentos de livros, organizado conversas, campanhas de solidariedade... respeitando sempre as medidas prescritas pela Direção Geral da Saúde. No caso dos eventos, as pessoas têm de se inscrever por email para controlarmos as presenças, assegurando o distanciamento social.

Qual o ‘feedback’ do público?
Podemos dizer que tem sido muito positivo, porque as pessoas sentem-se seguras a frequentar o MIRA, sabendo que respeitamos as prescrições sanitárias. Percebemos que as pessoas têm necessidade e procuram os bens culturais como forma de compensar as restrições que vivemos. O nosso compromisso é manter uma programação diversa, integrada, consequente e empenhada. 

O digital é um recurso a ter em conta? Utilizaram ou pretendem utilizar esse recurso?
Aprendemos muito com esta pandemia. Fechámos as portas, mas continuámos no online no mesmo ritmo. Publicámos todos os dias material que faz parte do nosso arquivo documental: vídeos de exposições realizadas, conversas com artistas, colóquios, tertúlias, programas de poesia, etc. O programa da semana era previamente enviado, através da nossa newsletter, e atualizado diariamente. Três semanas depois do início do confinamento, passámos a realizar quatro inaugurações por semana: duas no MIRA Fórum (fotografia) e duas no Espaço MIRA (arte contemporânea). Mantivemos o ritual das inaugurações com dia e hora marcadas: à quarta-feira e ao sábado às 21 horas. As pessoas aderiram em grande número a este programa, sendo a regularidade e a qualidade das apresentações as principais razões que explicam essa adesão. E houve modos de fazer que incorporamos: temos uma tertúlia mensal dedicada aos livros, uma comunidade de leitores que comenta um livro proposto por nós. A partir das experiências acumuladas, decidimos que, mesmo quando a situação voltar ao normal, continuaremos a realizar este ‘Livros no MIRA’ numa plataforma online: aparecem pessoas de várias zonas do país e sentimos que manifestam com mais facilidade as suas opiniões. Conclusão: a pandemia levou-nos a aprender a estar com o público de outra forma e acabamos por integrar na nossa prática novas formas de fazer, de comunicar, de produzir cultura.

A Cultura tem sido fortemente afetada pela pandemia. Quais as principais preocupações e os atuais desafios?
Esta situação excecional veio trazer um maior conhecimento, uma maior consciência sobre as fragilidades do setor. A precariedade em que vive a maior parte dos trabalhadores foi o aspeto mais chocante que veio à tona. O desafio presente é a criação de condições para que os trabalhadores ligados à cultura, em todas as suas manifestações, sobrevivam com a dignidade que merecem e continuem a produzir bens culturais.

Que medidas devem ser tomadas relativamente ao setor? O que falta fazer?
São fundamentais todos os apoios devidamente regulamentados a partir das situações vividas pelas diferentes estruturas, pelos diferentes setores da cultura. O diálogo e a cooperação com o mundo da cultura, através dos seus representantes, deverá estar na base das medidas a tomar. É claro que a inibição total ou parcial da atividade cultural limita ou impede a produção cultural e aqui reside a questão mais peculiar e mais dramática do momento que vivemos – um período de excecionalidade a todos os níveis, sem experiências anteriores que possam orientar; a falta de previsibilidade afeta todos os setores, em particular o cultural.

Que expectativas tem para o futuro próximo? 
A nossa atitude é esperançosa! Tomando um dizer popular, ‘não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe’, compreendemos que o momento é de resistência ativa, de esforço de sobrevivência, para quando a situação mudar estarmos aptos a responder aos novos e, esperemos, prósperos tempos. Aprendemos agindo, adaptando-nos às novas realidades.


FOTOGRAFIA DE APSTE 

PEDRO MAGALHÃES 
Principal preocupação é a falta de trabalho


Qual o impacto da pandemia nas empresas de serviços para eventos?
A pandemia teve um efeito devastador, tanto no lado das empresas como dos profissionais que, ao longo dos últimos anos, contribuíram para valorizar a marca Portugal além-fronteiras. Tal como fomos divulgando ao longo dos últimos meses, 56% das cerca de 170 empresas nossas associadas não tiveram liquidez para pagar os salários nos meses de agosto e setembro. E, mais do que isto, em outubro, cerca de 20% já tinham iniciado processos de despedimento. Do lado dos profissionais, estimamos que as últimas medidas anunciadas pelo Governo, nomeadamente a limitação dos eventos corporativos a cinco pessoas ou a proibição de eventos de fim de ano, signifiquem que mil técnicos altamente especializados fiquem desempregados ou mudem de profissão nos próximos meses. Perante este cenário, devastador é o único adjetivo a descrever os efeitos da pandemia.

Como tem sido a retoma do setor? 
Que retoma?! Não existe retoma ainda no nosso setor e, pelo rumo atual, dificilmente a teremos no início do próximo ano. Ao contrário de outros setores, também profundamente afetados pela pandemia, o nosso é dos poucos que continua sem praticamente poder trabalhar. E as medidas mais recentes só vieram piorar tudo, já que os eventos corporativos garantiam cinco a 10% do trabalho que algumas empresas ainda tinham, mas deixaram de ter devido às limitações impostas.

A Cultura e os eventos têm sido fortemente afetados pela pandemia. Quais as principais preocupações e os atuais desafios?
A principal preocupação é a falta de trabalho. As limitações impostas fizeram com que a procura, de entidades públicas e privadas praticamente desaparecesse; por isso, as nossas empresas ficaram sem saber o que fazer. Outra preocupação prende-se com a perda de milhares de profissionais altamente especializados que, perante o cenário atual, provavelmente deverão ir parar ao desemprego ou mudar de profissão. Trata-se de recursos cujo processo de formação dura aproximadamente dois anos e que, por isso, é uma força de trabalho que não se renova de um momento para o outro. Em relação aos desafios, julgo que o setor tem respondido bem mediante a latitude que nos têm dado. O investimento em eventos digitais, para tentar trabalhar respeitando as regras, surgiu de imediato e certamente não foi por resistência da nossa parte à mudança que estamos nesta situação. Mas julgo que o maior desafio de todos será sobreviver a todos os ataques que a pandemia e quem decide têm feito ao nosso setor.

A APSTE tem realizado diversas iniciativas dando conta da situação dos trabalhadores do setor. Por estarem nos bastidores dos espetáculos sentem-se ‘invisíveis’?
Sentimo-nos invisíveis porque sempre o fomos. E até aqui não tínhamos problemas com isso. A questão é que estivemos sempre presentes nos piores momentos do país ao longo dos últimos anos: foi o setor do turismo, muito alicerçado em grandes eventos, que assegurou a retoma após a crise de 2009 a 2013 e nunca nos viram a reclamar qualquer tipo de protagonismo ou fosse o que fosse. Somos nós que tornamos possível a realização de festivais como o NOS Alive ou Rock in Rio Lisboa e a vinda da Web Summit; somos nós que garantimos a realização das festas populares por esse país fora, que fazemos acontecer as peças de teatro, concertos ou outras demonstrações culturais. Enfim, estivemos sempre lá e agora, que mais precisamos, só pedimos que nos ajudem e, sobretudo, nos deixem trabalhar.

Que medidas deveriam ser tomadas pelo Governo? O que falta fazer? 
Muitas das medidas tomadas são fruto da nossa luta ao longo dos últimos meses. Não renegamos que o Executivo se tem esforçado, e até tem respondido a algumas das necessidades, mas ainda não é suficiente. E temos algumas prioridades que não são assim tão complicadas de materializar: a criação de um CAE [classificação das atividades económicas portuguesas por ramos de atividade] único para o setor dos eventos, a suspensão das amortizações e a manutenção dos apoios à retoma, sobretudo, no pagamento de salários. 

Que expectativas tem para o futuro próximo? 
Atualmente, são muito reduzidas. A única esperança prende-se com o sucesso das vacinas, que poderá aumentar a confiança dos consumidores e, em simultâneo, reduzir as limitações impostas pelos decisores. De resto, se tudo se mantiver como está, sem alterações significativas no primeiro trimestre de 2021, não sei quanto tempo mais as empresas e os profissionais conseguirão sobreviver.


RUI SPRANGER – HTTPS://AGENTEANORTE.COM/ 


RUI SPRANGER 
Situação extremamente preocupante e grave


Qual o impacto da pandemia no seu trabalho? 
Todos os projetos previstos para 2020 foram adiados indefinidamente ou cancelados. Março, abril e maio seriam os meses em que teria mais trabalho.

Que trabalhos tem realizado e que trabalhos tem agendados para os próximos tempos?
Em novembro estreei um espetáculo da Seiva Trupe sobre o Fernão de Magalhães, com o objetivo de vir a ser levado a escolas, mas não se sabe quando será possível. À cautela, fizemos um vídeo para poder ser uma alternativa ao presencial. De resto, fiz alguns recitais de poesia transmitidos em streaming e sem público. Neste momento, mantemos as noites de poesia do Pinguim Café em versão mista, presencial, com público muito reduzido, e em streaming. Para o futuro apenas existem possibilidades, mas nada ainda concretizado ou devidamente agendado. Todos aguardam o desenvolver da pandemia.

Tendo em conta as limitações, como tem decorrido o regresso aos palcos ou os encontros de poesia, por exemplo? E qual o ‘feedback’?
O regresso é o possível. O público tem vontade de voltar, mas as lotações limitadas não permitem lugares para todos. Uma sala de 80 lugares ficou reduzida a 28 para as duas récitas de ‘O Estreito’, da Seiva Trupe, e o Pinguim, que habitualmente leva cerca de 50 pessoas, está reduzido a dez. É impensável arriscar uma produção que dependa de bilheteira. Os que têm assistido aos espetáculos e à poesia sentem-se, creio, contentes por sair e por participar nestes eventos.

O digital é um recurso a ter em conta? Utilizou ou pretende utilizar esse recurso?
O digital foi a alternativa que encontrámos e permitiu que as ‘segundas de poesia’ não tivessem deixado de acontecer. É a alternativa possível, e de forma alguma a desejada. Mas continuarei a usá-la enquanto for ‘obrigado’.

A Cultura tem sido fortemente afetada pela pandemia. Quais as principais preocupações?
A maioria dos profissionais da cultura está sem trabalho e com poucas perspectivas quanto ao futuro; alguns já começaram a fazer trabalhos indiferenciados noutros setores. Mas nem isso tem sido possível para todos, numa altura em que o desemprego cresce e as empresas fecham. Os apoios da Segurança Social acabaram ou, os que subsistem, são uma espécie de empréstimos que vão hipotecar ainda mais o futuro destes profissionais. A situação é extremamente preocupante e grave.

Que medidas deveriam ser tomadas pelo Governo? O que falta fazer?
Desde logo, uma dotação financeira maior para acabar com o subfinanciamento permanente da cultura e a criação de um estatuto profissional que defina uma proteção social para os trabalhadores do setor.

Que expectativas tem para o futuro próximo? 
Neste momento, é importante não criar expectativas e esperar que o fruto caia da árvore. Os ramos estão frágeis e é um risco trepá-la.

Maria João Leite
(entrevistas e fotografia de abertura no site)


  
Ficha do Artigo

 
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