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Sophia, uma inspiração

Cem anos passados sobre o seu nascimento, Sophia de Mello Breyner Andresen continua a inspirar miúdos e graúdos. A 6 de novembro, os alunos do agrupamento de escolas que assume o nome da poeta, em Vila Nova de Gaia, celebraram Sophia, as suas obras e a sua vida.

“Sophia é uma inspiração”, disseram Simone, Inês e David, do 6º e 8º anos da Escola Básica 2/3 Sophia de Mello Breyner, sede do agrupamento. Todos confessaram admirar a poeta e todos gostam das obras que conhecem. Dos contos infantis aos poemas, as palavras de Sophia ecoam neste agrupamento desde o jardim de infância ao 3o Ciclo. “Continuamos a seguir os passos dela e a ler as suas histórias”, contou Inês. E Simone guarda na mesinha de cabeceira um livro de Sophia.
A data é muito especial para o Agrupamento de Escolas Sophia de Mello Breyner. Por isso, o dia foi assinalado com diversas iniciativas. A menina do mar, o rapaz de bronze e a fada Oriana passearam-se pelos corredores da escola-sede, que contou com leituras encenadas com a atriz Rita Sineiro, momentos musicais, percursos de orientação, jogos de tabuleiro, dramatizações, uma exposição, entre outras atividades. Os alunos do 5º ano fizeram
uma visita de estudo à Casa Andresen e nos jardins de infância e nas escolas do 1o Ciclo as festividades incluíram leituras de obras, construção de fantoches e de teatro de sombras, visualizações de documentário e musical, a pintura de um painel, ilustrações, desenhos, e até os ‘Parabéns’ a Sophia.
“Não podíamos deixar passar o aniversário de uma pessoa que nos é tão querida”, referiu Luzia Veludo, diretora do agrupamento, explicando que esta festa dedicada à poeta está “dentro do currículo”, fazendo parte “do trabalho normal da escola, de aprender e de ensinar”. Durante o dia celebraram os alunos e ao fim da tarde celebraram os adultos, com bolo e flores; “um buquê simbólico de que pensamos nela e gostamos dela”.
Para que a data fique guardada na memória, foram também distribuídas garrafas reutilizáveis. Uma ação de sensibilização ambiental, que se relaciona também com a autora. “Destacamos sempre o facto de a Sophia gostar muito do mar. Também dos jardins e dos bosques”, frisou a diretora. “Como estamos a tentar reduzir o plástico, começamos com uma campanha de redução das garrafas de água e achamos que era bom juntar estas duas situações. Então, por um lado, homenageamos a Sophia e, por outro lado, trabalhamos os valores que ela defende: defender a natureza e apreciar a água, neste caso, a água doce.”

“Muito orgulho na nossa Sophia”

O nascimento de Sophia é uma data muito importante para este agrupamento. “Temos muito orgulho na nossa Sophia”, sublinhou Luzia Veludo, contando que, quando desafiados a encontrar um patrono para o agrupamento, pensaram logo em Sophia de Mello Breyner, por ser uma figura destacada nacional e internacionalmente, pela sua ligação à Granja, de onde são tantos alunos do agrupamento, pela sua obra – os livros para crianças “adequam-se muito ao nível etário dos alunos que nós acolhemos, desde o pré-escolar até ao 9o ano” –, e pela sua vida, “os seus valores, que nos inspiram tanto e que nós procuramos incorporar e fazer valer, transmitindo-os às gerações que vão passando por aqui”.
Sophia está presente no agrupamento ao longo de todo o ano, independentemente de ser uma proposta do Plano Nacional de Leitura. “Se temos de começar com literatura infantil, quem mais do que Sophia para começarmos? Por isso, começamos desde o pré-escolar com as crianças a ouvirem as histórias.” Depois, as abordagens vão mudando e os alunos vão-se embrenhando na sua obra, consoante o ano de escolaridade.
“Eles vão sempre acompanhando e temos imensas celebrações e festividades em que incorporamos a Sophia”, referiu a diretora, dando o exemplo do cortejo de Carnaval deste ano, cujo tema foi a obra da poeta, com as crianças mascaradas com as personagens dos livros. Os mais velhos criaram “parangonas” dos valores de Sophia: da lisura, da democracia, da transmissão da cultura...
“Que é outra coisa que se adequou muito ao que nós pretendemos transmitir às nossas crianças: aquela ideia da Sophia de que a cultura deve ser um bem universal e não só de certas classes elitistas, e que deve começar precisamente na infância, para as crianças começarem a incorporar a leitura e continuarem a ler enquanto adultas. E essa apropriação da cultura é que é de facto a verdadeira democracia”, conclui Luzia Veludo.

Maria João Leite (reportagem)
Ana Alvim (fotografia)


  
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