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São dias de cinema, com curtas e longas metragens de ficção e animação; dias, também, de reflexão, debate e conversas. É o IndieJúnior Allianz, um festival de cinema infantojuvenil onde cabem crianças e jovens, famílias e escolas.
Por esta altura já se trabalha para a quarta edição do IndieJúnior Allianz - Festival de Cinema Infanto-Juvenil do Porto, que vai decorrer de 28 de janeiro a 2 de fevereiro de 2020. Trata-se de um evento que pretende atrair crianças, jovens e famílias e que também envolve as escolas, convidando-as a participar, seja na programação, na visualização em sala e até na atribuição de prémios. A participação da comunidade escolar é importante. E embora o envolvimento de crianças e jovens na programação de um festival de cinema não seja propriamente uma novidade, o IndieJúnior Allianz considera esse programa, adotado no ano passado, muito especial. “Programar um festival de cinema é uma coisa de grande responsabilidade, é escolher filmes para os outros miúdos poderem ver”, referiu Irina Raimundo, diretora do festival, lembrando a importância desse contributo, um “bom encontro” entre o que os programadores adultos fazem, a pré-seleção de filmes, e a escolha e perspetiva dos mais novos. Na edição deste ano, que decorreu no final de janeiro, quatro turmas de quatro escolas do Grande Porto participaram na iniciativa: a Escola da Ponte, a Escola Básica/Jardim de Infância dos Carvalhos, o Liceu Francês e a Escola Profissional Bento de Jesus Caraça, cobrindo o primeiro e segundo ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário. A colaboração das escolas decorre através do programa paralelo do Teatro Municipal Rivoli, um dos quatro espaços portuenses que acolhem o festival. Irina Raimundo considera que é uma boa contribuição para que se encontrem escolas onde os critérios são preenchidos, “que nós saibamos que os professores vão com isto até ao fim, que são responsáveis e que vão exigir responsabilidade aos alunos”. As escolas podem também demonstrar interesse em participar através do site oficial do evento. Entre os meses de junho e julho, o primeiro calendário de sessões já deverá estar aprovado, embora só em novembro esteja finalizada a programação, uma vez que o festival trabalha com filmes do ano em questão, eventualmente do ano anterior e excecionalmente do ano anterior a esse. “Por exemplo, este ano só temos filmes de 2018, 2017 e, poucos, de 2016. Portanto, estamos a trabalhar sobre criação recente, estamos a ver coisas que foram feitas há pouco tempo. Por isso, fechamos a programação tardiamente”, explicou à PÁGINA.
Diferentes linguagens, narrativas e mundividências
O IndieJúnior começou por ser uma secção de cinema para os mais novos no IndieLisboa, organizado pela associação com o mesmo nome. Surgiu a ideia de tornar esta secção independente, transformando-a num festival de cinema infantojuvenil, e de trazê-lo para o Porto, onde existia uma vaga por ocupar nesta categoria. A empresa patrocinadora atribuiu uma verba à associação para concretizar o evento, que conta com a parceria da Câmara Municipal do Porto. Com a realização do festival, há várias metas a alcançar, como a educação do público para a Sétima Arte, dando ao público infantojuvenil “bom” cinema – “mostrar que há linguagens, narrativas e mundividências muito diferentes daquelas que muitas vezes chegam ao grande público”, que é um cinema “mais de massas”, refere Irina Raimundo, que acredita na força deste contributo, que mostra “janelinhas” de coisas diferentes que contribuem para a “formação estética e pessoal das pessoas que vêm ao festival e das suas famílias”. Além disso, o IndieJúnior pretende contribuir para o aumento da produção de cinema para crianças e jovens em Portugal. “Havendo um espaço onde se pode mostrar filmes portugueses, a produção também pode surgir. Há muitas formas de ajudar a que surjam, uma delas é haver festivais onde podem ser exibidos.” Além da exibição de curtas e longas metragens de ficção e animação, decorre uma série de atividades paralelas, como oficinas, conversas e debates, onde se abordam temas fraturantes, como o bullying, a identidade de género ou as redes sociais, que foi o tópico deste ano. O tema surge a partir da programação. Este ano, foi escolhido no âmbito do documentário “In my room/No meu quarto”, de Ayelet Albenda (Israel, 2018), que, através de vídeos no YouTube, acompanha quatro anos da vida de seis adolescentes, permitindo ver o crescimento de cada um. Estes são momentos de reflexão importantes “para a comunidade, para as crianças e jovens, para as famílias, para os pais”, num espaço que se pretende ser de aprendizagem para todos.
Balanço positivo
O festival tem dezenas de filmes em competição e são atribuídos três prémios: um prémio internacional do Júri Oficial, o prémio do Público – “todas as pessoas têm direito a votar nos filmes que gostaram mais” – e o do Júri Escola, que é composto por três alunos de escolas diferentes, que veem todas as películas e decidem a quem atribuir a distinção. O IndieJúnior está em crescimento e este ano, na terceira edição, acolheu mais de 6.100 espetadores, mais 900 visitas do que no ano anterior. Desses, 4.584 eram alunos de escolas do Grande Porto, entre os três e os 18 anos. O número de famílias também cresceu e o cinema de colo, em estreia, teve as seis sessões esgotadas. O balanço é positivo, portanto. “O melhor feedback é quando os professores voltam. E eles voltam. Têm voltado”, salienta Irina Raimundo, que vê no cinema uma das melhores ferramentas de aprendizagem.
Maria João Leite (reportagem)
Fragmento da imagem completa da autoria da fotógrafa Ana Alvim publicada na revista A Página da Educação 213
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