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Tempo de partir: até sempre, LEONEL COSME!

No início deste ano, a PÁGINA foi apanhada de surpresa com a notícia da morte de Leonel Cosme.
Colaborador permanente e amigo de longa data deste projeto editorial, Leonel Cosme nasceu em Guimarães (1934). Com 16 anos, partiu para Angola, onde viveu 30 anos, incluindo como cooperante após a independência. Aí, entre diversas atividades culturais, cívicas e políticas, foi jornalista, radialista, formador e cofundador das Edições Imbondeiro.
Regressou a Portugal em 1987, continuando a desenvolver atividade jornalística (imprensa e rádio) até 1990 – retirou-se do jornalismo profissional, mas manteve colaboração em publicações de especialidade e dedicou-se à atividade literária (ficção e ensaio).
Entre outros títulos, é autor de «Cultura e Revolução em Angola» (1979), «A Revolta» (1983), «A Terra da Promissão» (1988), «A Hora Final» (1992) e, posteriormente, «Os Portugueses», «Portugal a Descoberto» e «A Separação das Águas» (2007). No prelo, deixou «Homo Sum: Tempo de Partir e Chegar» (Unicepe), onde fixou a que pode ter sido a última vontade:

“Quando eu morrer
quero apenas sobre a campa
uma lápide ou tampa com o meu nome, pois ele diz o que eu valer.
Mas se a família achar que isto é pouco ou igual a nada,
sendo eu escritor, mas não louco,
esta laboriosa adenda
em garrafa enterrada
não na cova junto ao caixão
mas no cimo junta à tampa
onde o nome é a única inscrição: «Nasceu e morreu em tantos de tal, escreveu alguns versos e muitos livros, com a mesma mulher teve filhos,
depois netos e bisnetos,
por eles fez casas, chãos e tetos, sementeiras e plantações.
Por ideais entrou em lutas e sarilhos, que até mereceram história,
pois geraram bênçãos e castigos, algumas invejas, mas muitos amigos que permanecem na memória.»
Isto é comum nos mortais
e não merece louvor nem lamento.
Só não fiz mais
por não ter tempo”.

NA PROFEDIÇÕES: “Não será hiperbólico pensar que as novas saídas de numerosos portugueses para o estrangeiro, em busca de melhores condições de vida, poderão ser um indício preocupante de que mais uma parcela do nosso povo está a desistir antes de terminar o último desafio.” Neste livro (2007), Leonel Cosme debruça-se sobre histórias que se repetem: a insularidade, a tristeza dos portugueses e uma certa nostalgia do paraíso perdido.


  
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