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O tempo todo e de forma latente, a Arte e a sensibilidade permearam os encontros, as produções e as conversações. Os cotidianos escolares mudaram de cenário e foram atravessados por questões éticas, estéticas e políticas.
O período pandêmico no Brasil, que teve início em março de 2020, se revelou como um momento de ajustes nas escolas, no que diz respeito às prioridades e urgências tanto das práticasteorias* nas ações de aprendizagensensinos* como em criações outras em relação à práxis pedagógica, em especial de alternância de posição nas relações docentesdiscentes*. Os espaçostempos* escolares foram ziguezagueando entre novas imagens, sons, paisagens, experimentações e memórias na tentativa de criar outros movimentos possíveis para o cenário que se apresentava e ainda se apresenta, considerando que o Brasil é um país cujo povo ainda tem pouquíssimo acesso à Internet e poucas condições de comprar os artefatos necessários à sua utilização. Com o isolamento obrigatório, iniciou-se um movimento de pensar em um mundo possível e uma escola que fosse menos míope aos artefatos culturais presentes nas redes virtuais, considerando sua potência entre os praticantespensantes* dos currículos e sua relevância diante do panorama mundial. Em caráter emergencial, com pouca ou quase nenhuma informação e suporte, as ações curriculares precisaram começar gerando inúmeros desafios para docentesdiscentes*. O realocamento dos espaçostempos* cotidianos em larga e inédita escala para o chamado virtual, ampliou as possibilidades para se pensar as criações curriculares que precisaram ir além da estrutura oficial. As práticasteorias* são atravessadas por afetações mútuas, no qual os discentesdocentes* ressignificam suas formas de atuação coletiva, tornada necessária pelo momento. Com isso, ampliam-se às diversas redes de aprenderensinar* dentrofora* do espaço físico da escola.
Tais redes educativas que formamos e que nos formam surgem a partir da tentativa de fazerpensar* as lacunas deixadas por uma estrutura curricular em disciplinas permitindo e exigindo a ampliação dos ‘usos’ das artes. Alguns artefatos digitais foram legitimando sua importância ética, estética e política quando além de produzirem sentidos, criam a partir do que se já se sabe, do conhecido, outras formas de estar junto. São nos espaçostempos* de criação as Artes abrem possibilidades para se fazerpensar* o ensino virtual. Como efeito disso, podcasts começam a ser compostos e criados através de conversas pelo WhatsApp e compartilhados via inúmeros meios de streaming. Aulas são compartilhadas em seu modo ‘ao vivo’ ou gravadas por meio de plataformas de encontro (meets). Assim como filmes, séries e animações ganham maior notoriedade sendo vistosouvidossentidospensados* como artefato curricular de grande potência nas práticas docentes. Museus e exposições passaram a ser visitados virtualmente em terceira dimensão. E memes e o TikTok se mostram como espaçostempos* potentes de criações e representações intertextuais éticas e políticas. O tempo todo e de forma latente, a Arte e a sensibilidade permearam os encontros, as produções e as conversações. Os cotidianos escolares mudaram de cenário e foram atravessados por questões éticas, estéticas e políticas. As redes de criação e usos da Arte se mostraram como espaçostempos* de movimentos de se apropriar, agir, pensar e estar no/com o mundo.
Rafaela Rodrigues da Conceição e Talita Malheiros
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (ProPEd)
* Segundo as autoras, o uso de expressões assim grafadas tem a ver com a necessidade de indicar que as dicotomias, necessárias a construção das ciências na modernidade, constituem limites à criação de conhecimentos na contemporaneidade.
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