Página  >  Opinião  >  Crónica à volta da pandemia

Crónica à volta da pandemia

Em alguns casos, o recurso sistemático a reuniões virtuais tem debilitado os processos de decisão. Contudo, permite manter uma atividade regular. E, recentemente, a clássica Semana da Internet das Coisas (agora virtual) teve uma participação bem mais numerosa e eficaz do que sucedia antes da pandemia.

Neste ano e tal que a pandemia já leva é uma boa altura para um texto relacionado com um acontecimento que tem tido um peso relevante da atenção pública. Um tempo marcado pelos mais variados impactos. Também para a Ciência e a Tecnologia (C&T).
No que à minha profissão toca – na estandardização, uma área ligada as atividades da C&T, no setor das telecomunicações, ou mais precisamente, das tecnologias da informação e comunicação (TIC) –, a maior novidade foi que a minha última viagem aconteceu em janeiro de 2020. Nesse mês, ainda tinha viajado quatro vezes para fora de Portugal.
Já com viagem marcada para o início de fevereiro, ao Luxemburgo, tive de a cancelar após a empresa para que trabalho me indicar que, então, era mais seguro, para mim, não me deslocar. Cá fiquei por Lisboa. E, com efeito, com a idade que já vou tendo bem se pode aplicar o provérbio “o seguro morreu de velho”!
Pode parecer ter sido precoce este cancelamento da viagem, mas o certo é que o vírus terá chegado um pouco atrasado ao nosso país. Nessa altura, já a China tinha apanhado a sua violenta pancada, particularmente em Wuhan. E também na Europa, desde logo em países chegados, o florescer epidémico já ia rapidamente acontecendo, com quase nenhum atraso. Por cá, os media desesperavam com mais esta demonstração do nosso atraso...
A dita reunião no Luxemburgo – de um grupo do Instituto Europeu de Estandardização das Telecomunicações (ETSI), que desenvolve standards para a completa automatização da gestão das redes de telecomunicações, chamada Zero touch network and Service Management (ZSM) – realizou-se à mesma no Luxemburgo, de forma híbrida, com participações presenciais e remotas; no meu caso, remota, sentado no mesmo sítio onde estou a escrever esta crónica.
E foi como o arder rápido de um rastilho! Todas as grandes empresas mundiais desta área interditaram de um dia para o outro as viagens dos seus técnicos. E aqui ficamos desde então...

Digitalização mais premente. Intrinsecamente, a área da estandardização é aberta e todos os que o desejem devem ter direito a participar nas atividades, tanto quanto possível em condições semelhantes. Só deste modo podem ser legitimados os resultados obtidos e aprovados, por via de regra, por consenso.
Deste modo, enquanto não for possível a todos os que tiverem direito a ser delegados viajarem e participarem em reuniões presenciais nos sítios onde elas forem organizadas, será praticamente impossível voltar ao status quo ante e as reuniões devem continuar a ser virtuais. E, em alguns casos, esta situação tem levado a um certo debilitar dos processos consensuais de decisão. Na verdade, os contactos cara a cara, com presença física, têm uma relevante importância. Contudo, regra geral, a utilização sistemática de reuniões virtuais tem permitido manter uma atividade regular.
Por exemplo, na semana entre o 25 de Abril e o 1o de Maio, realizou-se no ETSI a clássica Semana da Internet das Coisas, agora virtual – Virtual IoT Week [IoT - Internet of Things].
Sob o signo da covid-19, a digitalização tornou-se mais premente. Nos serviços de ‘eSaúde’ em particular, possibilitando o acesso remoto, limitando a necessidade dos pacientes se deslocarem a hospitais. E a IoT assume um papel direto no rastreamento, para além das conhecidas aplicações de risco de contaminação entre pessoas, na deteção de vírus em objetos e superfícies – o ETSI tem em avançado standards para o rastreamento assíncrono de vírus, apresentados pela primeira vez nesta semana da IoT. A Inteligência Artificial na IoT foi outro tema principal do evento, incluindo a correlacionada gestão de informação/espaços de dados.
E o facto é que este evento resultou numa participação bem mais numerosa – três a quatro vezes – e eficaz do que sucedia nas semanas IoT dos tempos sem pandemia!

Francisco Silva


  
Ficha do Artigo
Imprimir Abrir como PDF

Partilhar nas redes sociais:

|


Publicidade


Voltar ao Topo