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Os objetos estão carregados de significados e colaboram para constituir, sustentar ou transgredir sentidos culturais dos modos de ser criança e viver a infância. Cercadas de estratégias protetivas, com aulas virtuais, privadas da sociabilidade presencial, a vida das crianças assume novos contornos e incorpora outros objetos.
Este breve ensaio compõe-se de textos visuais e inspira-se no entendimento de que há um processo de significação e ressignificação – sempre histórico e contingente – construído mediante o acoplamento de símbolos, assim como de artefatos locais e universais, próprios de cada tempo, todos eles expressivos de uma complexa teia de significados compartilhada pelos sujeitos em uma cultura. Sua leitura efetua-se mediante uma ‘leitura de imagens’ na qual os leitores estão convidados a multiplicar olhares, sentidos e reflexões sobre as infâncias. O conjunto imagético foca a temática “crianças & objetos” com o objetivo de chamar a atenção para alguns daqueles incorporados/associados às vidas das crianças ao longo dos tempos. Considera-se que os objetos estão carregados de significados e colaboram para constituir, sustentar ou transgredir sentidos culturais dos modos de ser criança e viver a infância. Nas relações entre os sujeitos e o mundo, as interações sociais estão entremeadas com objetos associados às culturas que os produzem e lhes atribuem significados. Na contemporaneidade, compreendemos, ainda, que ‘objetos’ estão também relacionados às mediações entre as pessoas e não apenas aos artefatos. Em uma cultura imaterial, com objetos etéreos como redes virtuais de comunicação, programas de computador, jogos eletrônicos e grande fascínio por imagens, observa-se também a objetificação das infâncias. É também nesse sentido que a leitura das imagens constitui saberes e expressões do nosso tempo. Atualmente, um vírus que se tornou pandêmico está produzindo outros contextos infantis e acoplando outros objetos às infâncias. Cercadas de estratégias protetivas, com aulas virtuais, privadas da sociabilidade presencial e com acesso restrito aos shopping centers, a vida das crianças assume novos contornos e incorpora outros objetos. E pode-se dizer que o impacto maior da pandemia nas transformações das infâncias ainda está por vir.
Ana Paula L. Aprato
Universidade Luterana do Brasil (doutoranda em Educação)
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