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Algo vai mal no reino do rato

A Disney anunciou recentemente o despedimento de 4.000 trabalhadores até ao final de Março, além dos 28.000 que começaram a receber notificações em Outubro.

Durante anos, os reinos mágicos dos parques temáticos da Disney prometeram uma visão idealizada e muito americana de mundo perfeito – além de empregarem milhares de trabalhadores e dar-lhes a oportunidade de um trabalho estável. Mas, no seguimento da pandemia, essas oportunidades estão a desaparecer no meio de despedimentos em massa e cortes de benefícios, ao mesmo tempo que os ‘altos executivos’ se aumentaram prémios de gestão a níveis anteriores ao coronavírus.
A Disney anunciou recentemente o despedimento adicional de 4.000 trabalhadores até ao final de Março de 2021, além dos 28.000 que começaram a receber notificações de despedimento em Outubro passado. A maioria dos despedimentos terá efeito a partir do final do ano. A empresa justifica estes despedimentos com “a entrada limitada e o fecho da Disneylândia da Califórnia por restrições estaduais devido ao coronavírus”.
Entretanto, milhares de trabalhadores que já receberam notificações de despedimento estão a pensar o que fazer a seguir, tentando sobreviver com o seguro (nos EUA não existe subsídio de desemprego), pois os apoios do estado, nos estados onde existem, acabaram em Julho, e mantendo a esperança de voltar ao trabalho quando for para voltar...
Nos três meses que terminaram em 27 de Julho, o relatório trimestral da Disney mostrou um prejuízo de 72 mil milhões de dólares – o primeiro prejuízo em 20 anos.

Sinais dos tempos. Madison, uma trabalhadora da Disney World, explicou ao The Guardian, pedindo para usar apenas o primeiro nome, pois pensa que ainda pode voltar à Disney, que, quando o resort fechou em Março, ninguém pensou que iria durar tanto. “Quando descobri que fui despedida, simplesmente desmaiei. Chorei histericamente no meu carro, enquanto o meu namorado me tentava acalmar”.
Demorou dois meses a receber o seguro-desemprego e ela e o namorado estão a acabar as economias que tinham poupado para comprar uma casa. “A electricidade vai ser desligada. Não posso pagar o telefone nem o seguro do carro... Se o governo não ajudar, vou afogar...”
A Disney recusa-se a fornecer o número total de trabalhadores despedidos e não respondeu ao pedido de comentário sobre a remuneração dos executivos. Josh D'Amato, presidente do departamento dos parques, limitou-se a produzir uma declaração: “À luz do impacto prolongado da pandemia nos nossos negócios, tomámos a decisão muito difícil de iniciar o processo de redução da nossa força de trabalho.”
Para terminar, a cereja no topo do bolo. No final da última produção da Disney, “Mulan”, um remake do filme de animação, agora em imagem real, a produtora agradece ao governo chinês por ter permitido filmar partes do filme na mesma região onde continua a reprimir a etnia uigur.

Paulo Teixeira de Sousa


  
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