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As universidades que usavam a tecnologia principalmente para e-mails e procedimentos administrativos enfrentam enormes desafios sobre como entrar no online desde o início. Mas este é o ‘novo normal’ e parece destinado a permanecer, pelo menos no futuro próximo.
As universidades que usavam a tecnologia principalmente para e-mails e procedimentos administrativos enfrentam enormes desafios sobre como entrar no online desde o início. Mas este é o ‘novo normal’ e parece destinado a permanecer, pelo menos no futuro próximo. Recordando o início de 2020, pelo menos no Reino Unido, a história que dominava as notícias diárias era o ‘Brexit’. Para alguns de nós, essa foi uma decisão desastrosa, alimentada pela política populista, pela xenofobia, pelo retorno aos dias do Império e ao nacionalismo de nos deixar sem respiração. O argumento de que as universidades do Reino Unido tinham beneficiado significativamente do seu relacionamento com a Europa parecia não ter qualquer eco. Aparentemente, a racionalidade e o populismo vivem em dois universos diferentes. Então, quando as badaladas do Big Ben saudavam o Ano Novo, era difícil imaginar que uma tempestade ainda maior se estava a formar e que saturaria as ondas da comunicação por toda a parte. Estou a referir-me, é claro, à covid-19, uma pandemia global que, de súbito, transformou as ruas entupidas pelo trânsito da cidade universitária onde trabalho (Cambridge) em caminhos sem vida: um trabalhador apressado aqui, um comprador ansioso acolá; a estação de comboios, antes sempre cheia de trabalhadores em trânsito, turistas curiosos e estudantes universitários, ficou vazia da noite para o dia. Uma universidade e sua cidade foram fechadas num ápice, ao mesmo tempo que surgia um novo léxico social para gerir esse perigoso pequeno vírus: confinamento, distanciamento social, equipamentos de proteção individual (EPI) e Zoom – se se pesquisar covid-19, o Google apresentará 6,5 bilhões de acessos; a pandemia afastou o Brexit das ondas aéreas, ao mesmo tempo que causa estragos nas vias aéreas das suas muitas vítimas. A vida na universidade pandémica transformou-se para além do imaginável, e não só em Cambridge, ou mesmo no Reino Unido. Em todo o mundo, muito dificilmente uma cidade, ilha, país ou continente foram poupados, e com eles, as suas instituições de ensino, de creches e escolas a instituições de Ensino Superior. E estes estão interligados: encontrar uma creche confiável enquanto se trabalha ou estuda na universidade, permite que ambas funcionem; quando se colocam limites a uma delas, a outra vacila.
Futuro e ‘novo normal’. Muitas universidades modernas e modernizadas são instituições globais, recebendo estudantes e professores internacionais nos seus campi e salas de aula. Previa-se que esse número duplicasse de cerca de cinco para dez milhões nos próximos cinco anos. Com o movimento de pessoas através das fronteiras parado e as viagens aéreas quase interrompidas, as universidades estão a ter que repensar o que o futuro lhes pode reservar. Países como a Austrália e a Nova Zelândia, juntamente com o Reino Unido e o Canadá, matriculam nos seus programas de graduação um grande número de estudantes internacionais, a pagar a propina integral. É provável que as famílias ansiosas levantem questões sobre a segurança e proteção da saúde e sobre o que isso pode significar para elas. Mas isso não é uma preocupação apenas para os estudantes internacionais. Os localizados nacionalmente têm preocupações semelhantes. E então a experiência dos estudantes? Como é a aprendizagem mediada pelos princípios do distanciamento social? Devo reconsiderar as minhas opções e esperar que tudo isto passe? Os académicos estão também a enfrentar novos desafios. Como dar aulas numa das plataformas que surgiram em substituição da sala de aula? Como podemos desenvolver conversas e garantir momentos ocasionais relevantes nesses espaços, a fim de gerar o encontro casual, o momento ‘ahah’, a ocasião para descobrir um rosto confuso e perceber que dizer algo diferente pode ajudar a torná-la um momento de ensino-aprendizagem? Com grandes grupos, com cursos destinados a serem ministrados virtualmente, as universidades que, como a minha, usavam a tecnologia principalmente para e-mails e procedimentos de tipo administrativo enfrentam enormes desafios sobre como entrar no online desde o início. Mas, por ora, este é o ‘novo normal’, e o novo normal parece destinado a permanecer, pelo menos no futuro próximo. Assim, como havemos de navegar o futuro, os ‘conhecidos conhecidos’ e os ‘conhecidos desconhecidos’, parafraseando Donald Rumsfeld? Como iremos encontrar uma nova linguagem que compreenda as muitas ações de comunidade e solidariedade que surgiram nos nossos bairros e comunidades mais amplas? Significa isto resistir a termos de individualização e patologização, como resiliência, ou que podemos gerir o futuro através da gestão diligente dos nossos registos de riscos? Se alguma coisa podemos extrair deste ‘novo normal’, é que somos seres profundamente sociais, cujos futuros são incertos. Mas também somos seres curiosos e criativos, e isso é algo com que a melhor educação se deve preocupar. Devemos alimentar e valorizar precisamente isso, à medida que navegamos nos altos e baixos dos tempos que estamos a viver.
Susan Robertson
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