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Com os livros podemos repensar questões importantes para a sociedade, prática necessária neste momento político brasileiro, onde o Estado não valoriza a cultura.
Livros são potências de criações acerca de assuntos que permeiam os nossos cotidianos, nos quais criamos redes educativas nas quais nos formamos com nossas tantas diferenças e semelhanças. Com eles, podemos repensar questões importantes para a sociedade, prática necessária nesse momento político brasileiro que atravessamos em 2019, onde o Estado não valoriza a cultura e demonstra isso através de diversas medidas de redução orçamentária e desmoralização de importantes criadores e criadoras, como fizeram com a importante e reconhecida atriz Fernanda Montenegro, por ocasião de seus noventa anos. Pensando na importância de formação de todos e todas nós na cultura, trouxemos para o grupo de pesquisa ‘Currículos, Redes Educativas, Imagens e Sons’, no qual trabalhamos, os modos como as questões das migrações – os migrantes, suas crianças e jovens – aparecem nas escolas como presença e questões curriculares. Decidimos ler os livros de Milton Hatoum, escritor brasileiro de Manaus, descendente de libaneses e que trata dessas questões em seus livros. O autor é uma das principais referências em narrativas ficcionais de cunho crítico-social na atualidade. De uma forma envolvente, relata as dificuldades relacionadas à migração. Os textos possibilitam, também, conversas sobre a ditadura e como estamos revivendo, em uma democracia, alguns aspectos desse período muito difícil. Ao realizarmos as leituras, diversas possibilidades surgiam para fazermos um filme e escrevermos livros de literatura infanto juvenil. Nesse movimento, criamos um filme para o público infanto-juvenil, baseada no livro «Dois Irmãos», que narra a relação difícil entre irmãos de origem libanesa e a dificuldade de um deles com o idioma, após ser enviado para o país de origem de seus pais e lá passar muito tempo, só falando a língua local. Outra atividade foi a adaptação de outro livro do Hatoum, para o mesmo público, com texto escrito por uma das praticantespensantes do nosso grupo, Thamy Lobo. «Cinzas do Norte» conta a história de dois amigos e suas questões com a ditadura militar e a escolha de uma profissão. Na versão infantil, foram incluídos aspectos de Manaus, onde ocorre a maior parte da história, que não constavam na versão original, como o sorvete de tucumã, uma sobremesa típica e de agrado das crianças. Este livro foi intitulado «Cores do Norte». O movimento da leitura dos livros possibilitou muito mais que comentários sobre os aspectos dos livros, sobre sua temática e sua linguagem. Fez com que o grupo criasse a partir daqueles textos. Essa é a potência da literatura! Com ela resistimos e criamos sempre!
Thamy Lobo e Renata Rocha
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