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Antropofinis

Este tempo a que vários cientistas chamam Antropoceno, por considerarem que a humanidade está a modificar unilateral e decisivamente o ambiente do planeta que a acolhe, talvez se devesse denominar Antropofinis.

Existem na internet links simples de consultar, gratuitos e rápidos. Costumo aconselhar o site “Breathingearth.net” – abre depressa e mostra muita informação. Pode ver-se que já somos mais de 7.500 milhões de humanos, que a libertação de dióxido de carbono (CO2) é enorme. Também se pode ver a distribuição de população por países: a Federação Russa tem cerca de 134 milhões de habitantes em 17 milhões de km2, enquanto o Bangladesh tem quase 183 milhões de habitantes numa superfície pouco maior do que a de Portugal. No site também se pode ver o envelhecimento populacional por países.
Sabe-se que as migrações se dão essencialmente de Leste para Oeste e de Sul para Norte, por motivos de falta de qualidade de vida na origem. Há outros casos, sempre houve, de migrações causadas por perseguições religiosas. Hoje também há casos desses, mas são muito poucos os que falam disso. O Islão, em grande parte dos países que controla (nas suas variantes sunita ou xiita, essencialmente) é persecutório e intolerante. Mas tal não justifica a política de opressão do ‘país modelo’ atual, a China, em relação aos muçulmanos uigures que lá habitam. Também nada legitima a ocupação do Tibete – na realidade conquista e anexação que a China praticou em 1950.
Note-se que o Tibete tem uma área de 1.228.400 km2, um pouco mais do que Angola! O que significa que, para mostrar o seu internacionalismo proletário, um dos libertadores do colonialismo português em relação a Angola, e talvez o seu atual principal fornecedor (China), tenha anexadopraticamente uma ‘Angola’. E não é ‘bonito’ falar nestes temas em público – o governo chinês não gosta!

Avisos sérios. Este tempo a que vários cientistas chamam Antropoceno, por considerarem que a humanidade está a modificar unilateral e decisivamente o ambiente no planeta que a acolhe, talvez se devesse denominar como Antropofinis.
De facto, segundo avisos muito sérios da ONU, em 2019 (agora) teremos mais 12 ou 13 anos para evitar mudanças ambientais de consequências finais para a espécie ‘homo’. A subida da temperatura das águas dos oceanos, a deflorestação, o lançamento de toneladas de plástico por segundo nos oceanos e mares, a continuação do aumento populacional humano (que atingiu os primeiros mil milhões em 1804), serão fatores conjugados que tornarão inabitável para os humanos o planeta que os abriga.
E de novo, a subida da temperatura média, que acarreta enormes degelos no Ártico, na Antártida e na Sibéria. O perigo destes degelos não se resume à subida do nível médio das águas do mar. Portugal tem uma costa baixa e uma linha litoral com muita gente atendendo ao tamanho do país. O mesmo sucede por todo o mundo. Sob os gelos jazem também vírus, por exemplo, desconhecidos e de enorme perigosidade que serão libertados.

E tudo isto para quê? Viverão bem os moçambicanos depois do ciclone Idai? O sistema económico global é o principal motor por trás da nova Era Geológica em que já vivemos. Vamos deixar-nos de loucuras? Há programas de TV em que se fala de ‘ir para Marte’ como se tal coisa fosse viável. Não é.
Este sistema económico global, o que produziu? “Mais de 80% da riqueza criada no mundo em 2017 foi parar às mãos dos mais ricos que representam 1% da população mundial” (relatório da OXFAM, https://observador. pt/2018/01/22). Mais de metade da população mundial tem um rendimento diário entre 1,6€ - 8,1€. “Mantendo o mesmo nível de desigualdade, a economia global precisaria de ser 175 vezes maior para permitir que todos passassem a ganhar mais de 5 dólares (4 euros) por dia”, concluiu a análise da OXFAM.
Se temos 12 ou 13 anos para alterar ‘isto’, já estamos no Antropofinis. Desde que comecei a escrever este artigo, informa o site que referi no início, foram libertadas mais 2.804.000 milhões de toneladas de CO2...

Carlos Mota


  
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