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Os media, tal como agora se apelidam os meios de comunicação social, isto é, televisões, rádios, jornais e, em geral, os meios de comuniçação em papel, além dos baseados na internet, incluindo as redes sociais, não se fartam de, nestes tempos, ir atirando para as nossas caras com a 5G!
Afinal o que é a 5G, perguntar-se-ão os leitores... mesmo quando os que deveriam estar preparados para lhes responder se afligem para explicar algo que eles próprios não sabem bem como fazer – incluindo, por razões profissionais, o escrevente destas linhas; por outro lado, muita jornalistagem e politiqueiros falam com estrondosa ligeireza desta matéria – aliás, bastante indominável. Pois pensei e achei que não tinha outro remédio, se não escrever sobre 5G na PÁGINA, de que sou colaborador de há bons tempos a esta parte. Bom... Falando-se de 5G (quinta geração) é porque antes houve quatro gerações. Fala-se, é claro, de gerações de redes móveis de telecomunicações, com as quais funcionam as nossas comunicações por telemóvel e, desde há algum tempo, as que já não são apenas telefónicas e para as quais utilizamos smartphones. Estes terminais, estes novos telemóveis, mais se assemelham a pequenos computadores – pequenos no tamanho, cabendo nas palmas das nossas mãos, mas enormes em termos de capacidades de memória e processamento, impressionantes no alojamento de aplicações (APP); mais, os smartphones tornaram o vídeo e, sobretudo, a fotografia de qualidade elevada em algo sempre disponível em quantidades inimagináveis e infinitamente reprodutíveis e partilháveis. Já se apelidam os smartphones de máquinas fotográficas com as quais se pode telefonar e trocar mensagens de todos os tipos e que podem utilizar-se como computadores... Computadores que, inclusivamente, nos guiam para onde queremos ir – hoje, com o GPS (global positioning system), podemos ir a qualquer sítio numa cidade ou num país desconhecidos.
De geração em geração. Então vejamos, a 3G, terceira geração, foi a primeira a ser designada como tal. A primeira tinha sido aquela ainda analógica, aqueles enormes terminais telefónicos utilizados nos automóveis, cujo o elevado preço não tinha nenhuma comparação com o que posteriormente veio a acontecer; o número de utilizadores era baixo, imaginava-se que apenas os altos executivos das empresas ou as pessoas ricas, milionários, poderiam comportar tais custos. Houve diversos sistemas na Europa, Estado Unidos da América, Japão... Contudo, com a disponibilidade da tecnologia digital, já estava à espreita a que viria a ser retrospetivamente designada por 2G, que, na altura, ficou conhecida, primeiro na Europa e depois em todo o mundo, por GSM – um standard que resolveu a operabilidade entre os diversos sistemas, proporcionando o roaming entre os países da União Europeia. Os preços caíram por aí abaixo, com a utilização maciça dos telemóveis – se bem que não pensados de raiz para outras comunicações, com o juntar das SMS (short message service, comunicações de texto) e de outros serviços de dados, estes haviam de conhecer um êxito enorme. A 3G foi a primeira a ser estandardizada através de um projeto de cooperação global chamado 3GPP (3G Partnership Project). Daí em diante o nome do projeto mantém-se, as gerações é que mudam: primeiro para 4G, que é utilizada pelos smartphones de hoje, e depois para 5G, a que está aí à porta e tanto tem dado que falar.
O que vai trazer a 5G. A geração que está quase a chegar dispõe de evoluções quantitativas apreciáveis para as características das infraestruturas: velocidades de descarregamento de dados da ordem de 1-10Gbit/s; largura de faixa de frequências mil vezes maior por unidade de área; 10-100 vezes maior disponibilidade para ligação de ‘coisas’ na IoT (Internet das Coisas); uma ida e volta, de extremo a extremo da rede, dos pacotes de dados transmitidos de 1ms (‘latência’), incluindo com a implementação de sistemas de ‘nuvens’ (clouds) tanto centrais como distribuidas pelos vértices da infraestrutura – tão importante para as comunicações ‘críticas’, tando para veículos ‘ligados’ e autónomos como para aplicações da área da Saúde, da Segurança ou da revolução industrial 4.0; perceções de disponibilidade da rede de 99,999% e de cobertura rádio de 100%... Enfim, tudo isto alcançado com 90% de redução de consumos energéticos na rede e com até 10 anos de vida de baterias de baixa potência para os dispositivos da IoT. A infraestrutura 5G verá também o seu funcionamento progressivamente optimizado pela introdução de sistemas de ‘Aprendizagem Automática’ distribuídos um pouco pelos seus diversos escalões, empregando quantidades enormes de dados gerados em permanência para optimizações dinâmicas dos recursos, etc. Enfim, dizer isto tudo poderá não ser muito esclarecedor sobre o verdadeiro valor do que, como de costume, só será entendido à medida que a experiência de utilização dos novos meios vá mostrando para o que servem, para os usos que seguramente (re-)inventaremos...
Francisco da Silva
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