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Diversidade linguística e cultural no Brasil

Joana Aparecida Fernandes Silva
Prof. Dra Departamento de Antropologia/UFMT

Introdução

O Brasil é um país que tem uma língua oficialmente reconhecida, que é o português, falado pela imensa maioria de seus habitantes. A língua portuguesa foi herdada dos colonizadores portugueses que aqui chegaram no século XVI. Por volta do ano de 1500, quando chegou a frota de Pedro Álvares Cabral, na costa do país que hoje conhecemos como Brasil havia uma população estimada em cerca de seis milhões de índios, organizados em diferentes povos indígenas, com diferentes culturas e denominações. Cada povo portador de uma cultura tinha uma língua própria, caracterizada por regras linguísticas, vocabulários, uma estrutura gramatical particular. Por uma processo histórico que desenvolveu-se nos últimos 400 anos de contatos destas sociedades indígenas primeiramente com os europeus e mais tarde com a população nacional, a maioria destes povos desapareceu e a população indígenas chegou a um número alarmante: apenas 300.000 pessoas, enquanto a população nacional soma mais de 150 milhões de brasileiros. Houve um verdadeiro genocídio neste período. Hoje, estima-se que a população indígena brasileira está se recuperando e que, pela primeira vez na história, os números experimentam um aumento ao invés de uma diminuição.

A diversidade linguística atual

Estima-se que atualmente existam, no Brasil, cerca de 200 línguas indígenas faladas por quase igual número de povos que habitam este território. Estas línguas estão filiadas a dois troncos linguísticos principais, o Tupi e o Macro-Jê, a duas famílias linguísticas mais importantes, o Aruak e o Karib e a outras famílias menores.
Para saber o parentesco entre as línguas, os pesquisadores observam os cognatos, que são palavras que línguas com a mesma origem conservam em comum e a regularidade dos sons. Desta maneira o parentesco entre as línguas variam da seguinte maneira: línguas pertencentes a um mesmo tronco têm entre si, 12% a 36% de cognatos. Línguas da mesma família, têm entre 36% a 80% de cognatos e dialetos tem 80% ou mais de semelhantes. O exemplo abaixo deixará mais claro o que se está afirmando. Para tal, tomamos um caso que estamos mais familiarizados, qual seja, a família linguística do Latim.
O interesse em conhecer a diversidade linguística brasileira reside no fato de que estas diferenças expressam uma diversidade cultural entre os diferentes povos que aqui vivem, bem como oferecem um critério para organização e compreensão dos mesmos. Ao dizer que um povo é Tupi, alguém com conhecimentos a este respeito saberá que se está tratando de um conjunto de povos, com uma provável origem no estado de Rondônia, e que têm em comum uma extrema religiosidade, são hábeis agricultores, bons ceramistas e, eventualmente, tecelões. Os povos Macro-Jê opõem uma cultura material muito simples a uma organização social extremamente complexa, que baseia-se em metades (exogâmicas ou não), em clãs, casa de homens, classes de idades. Os Guarani, os Kayabi, os Cinta-Larga e os Tupinambá são apenas alguns dos povos Tupi; os Xavante, Apinayé, Suyá e Kaingang pertencem ao tronco Macro-Jê .


LATIM

Português

Falar
Comer
Castelhano

Hablar
Comer
Italiano

Parlar
Manjar
Francês

Parler
Manger

TUPI

Português

Mão
Ir
Fazer
Tupinambá



Apó
Guarani



Apó
Tapirapé



Apá

MACRO-JÊ

Português

Sol
Cabeça
Asa
Esposa
Canela

Pyt
Khrã
Haaraa
Prô
Xavante

Bââdâ

Djèère
Mrô
Apinayé

Myt
Krâ
Ara
Prô

FONTE:
Rodrigues, Aryon. Línguas Indígenas Brasileiras. Edições Loyola, S.P., 1986
Fernandes, Joana- Índio, Esse Nosso Desconhecido, Editora da UFMT, Cuiabá, 1993.


  
Ficha do Artigo
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Edição:

N.º 73
Ano 7, Outubro 1998

Autoria:

Joana Aparecida Fernandes Silva
Prof. Dra Departamento de Antropologia/UFMT, Brasil
Joana Aparecida Fernandes Silva
Prof. Dra Departamento de Antropologia/UFMT, Brasil

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