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O Modelo High/Scope em Portugal
O modelo High/Scope é uma abordagem aberta de teorias de desenvolvimento e práticas educacionais que se baseiam no desenvolvimento natural das crianças. Podemos dizer ser um enfoque educativo orientado para o desenvolvimento da criança e da sua aprendizagem, integrando as perspectivas intelectual, social e emocional.
Ancorado nas teorias de Jean Piaget e seus seguidores acerca do desenvolvimento infantil, o modelo considera a criança como aprendiz activo que aprende melhor a partir das actividades que ele mesmo planeia, desenvolve e sobre as quais reflecte.
Com a rotina diária proposta por este modelo espera desenvolver-se, nas crianças, competências de planeamento das suas actividades e reflexão final sobre o seu desenvolvimento. O controlo das actividades é partilhado entre a criança e o adulto, apesar de este ter um papel fundamental no apoio à aprendizagem da «escolha» e da «resolução de problemas».
O modelo começou a ser estruturado nos anos sessenta, em Ypsilanti (Michigan, USA), recebendo o nome da instituição em que se desenvolveu, sob a liderança de Weikart.
Décadas de investigação indicam que o modelo tem resultados positivos, promovendo significativamente as oportunidades de vida das crianças. Há estudos que, inclusive, demonstram uma relação entre o investimento financeiro feito pelos pais para que os filhos estudem em escolas que desenvolvam este modelo e os salários auferidos aquando da integração destes no mercado laboral. Outros reflectem na relação entre a escolarização segundo este modelo e a marginalidade, a criminalidade e a toxicodependência, apontando que o modelo previne altamente o enveredar por estas vias desviantes.
Em Portugal, existe um conjunto de instituições que se assumem implementadoras deste modelo. Em Lisboa, são disso exemplo a Escola Raiz, a funcionar desde o ensino pré-escolar ao 2.º ciclo, e o Colégio Meninos Rabinos com pré-escola e 1.º ciclo. É sobretudo ao nível pré-escolar que encontramos mais escolas / colégios com projectos educativos de vivência do modelo High/Scope, começando a expandir-se aos restantes níveis.
Entre nós, são escassas, as publicações sobre esta temática. Em livro, são referência "Aprendizagem Activa" e "Educar a Criança, ambos editados pela Fundação Calouste Gulbenkian e sobre o modelo High/Scope na educação pré-escolas. Os artigos em diversas revistas e jornais surgem mais frequentemente. Ao nível da formação inicial, há instituições de Ensino Superior a incluírem, nos seus currículos, formação neste modelo.
Lamentavelmente, nem sempre é fácil conseguir a abertura das portas, das escolas e colégios que desenvolvem este modelo, à investigação externa. O que é pena, para poder estudar-se a adequação deste modelo à população portuguesa, perceber as suas dificuldades e os seus méritos e divulgá-lo mais junto dos profissionais e das famílias. Se é um modelo que, pelo menos teoricamente, aponta inúmeras vantagens, seria interessante ver as instituições mais abertas, para que comecem a surgir mais estudos com reflexão acerca da sua implementação nos diversos níveis do Ensino Básico.
Apesar de ser um modelo nascido nos anos sessenta, em Portugal não marcou, até ao presente, uma forte presença, estando ainda muito confinado à educação pré-escolar. Seria muito positivo explorá-lo mais e divulgar, com ele, a inegável importância de a aprendizagem ser activa e significativa. Pensamos ser este o seu ponto forte do modelo High/Scope, a promoção do envolvimento da criança na planificação, desenvolvimento e avaliação das suas actividades de aprendizagem.

  
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Edição:

N.º 173
Ano 16, Dezembro 2007

Autoria:

Mário Henrique Gomes
Mestre em Ciências da Educação
Mário Henrique Gomes
Mestre em Ciências da Educação

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