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Timorenses sob ameaças de uma nova Guerra Civil

A mulher do presidente timorense Xanana Gusmão, Kirsty Sword, diz que o marido sente que o governo de Mari Alkatiri é claramente incapaz de controlar a situação, razão pela qual decidiu assumir o controlo da segurança no país.
A violência no território de Timor-Leste prosseguia mesmo depois da chegada de tropas australianas, enviadas a pedido da presidência e do governo do país, aparentemente unidos no reconhecimento da necessidade desta ajuda internacional.
O espectro de guerra civil em Timor-Leste é claro quando o primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, diz não conseguir contactar com o comandante da Polícia Nacional, Paulo Martins, acrescentando, de seguida, desconhecer "de que lado é que ele está".
Isto num cenário em que elementos das forças armadas, sem qualquer controlo hierárquico, estarão a atacar famílias de agentes da polícia, segundo o testemunho da mulher de Xanana Gusmão, citada por órgãos de comunicação social australianos.
No xadrez político de Timor, onde, na última semana de Maio terão sido mortos mais duas dezenas de civis, militares e paramilitares, é de reter ainda os nomes de Taur Matan Ruak, comandante das Forças Armadas, e de Alfredo Reinado, chefe dos revoltosos.
Reinado, rebelde aquartelado nas montanhas, já acusou o primeiro-ministro Mari Alkatiri de ter ordenado o ataque ao quartel-general da polícia, de 24 de Maio, que provocou vários mortos. Taur Matan Ruak tem estado remetido ao silêncio.
Alkatiri está também, pelo menos indirectamente, na mira do primeiro-ministro australiano, John Howard, para quem Timor Leste ?não tem sido bem governado? como o provará o facto, referido por Howard, de terem pedido ajuda do exterior.
Desautorizado, por Xanana Gusmão que, a fazer fé nas palavras da mulher, o considera "incapaz de controlar a situação?, e pouco apoiado por membros do respectivo Governo, como o ministro José Ramos Horta, Mário Alkatiri fala já em Golpe de Estado.
Sublinhe-se que o primeiro ministro australiano já se permitiu criticar o Governo de Alkatiri, que Ramos Horta emitiu um comunicado ignorando o primeiro ministro e que só a ministra de Estado Ana Pessoa disse que o Governo timorense está unido. Estará?


  
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Edição:

N.º 157
Ano 15, Junho 2006

Autoria:

Júlio Roldão
Jornalista do Jornal de Notícias
Júlio Roldão
Jornalista do Jornal de Notícias

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