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Perguntas a propósito do 11 de Março

Se o atentado de 11 de Março, em Madrid, tivesse sido perpetrado  pela ETA teria o sucessor de José Maria Aznar ganho as eleições legislativas de 14 de Março, como indicariam as sondagens sobre as intenções de voto dos espanhóis?
Estaria Angel Acebes, o ministro da administração interna do Governo de Aznar, ainda no Poder em Madrid se tivesse dado o benefício da dúvida às investigações policiais e até às declarações de inocência assumidas por simpatizantes da causa que move a ETA?
No domínio das especulações jornalísticas e policiais em torno do 11 de Março em Madrid poderá haver lugar para uma perturbante  tese que "descubra" um terceiro terrorista que não seja nem da ETA nem da Al Qaeda?
Reivindicar a obra como o fez alguém em nome do grupo Brigadas de Abu Hafs al Masri, supostamente vinculado à Al Qaeda, ou insistir na pista da ETA como insistiu o Governo de Madrid a ponto do primeiro-ministro ter telefonado a jornalista para confirmar a "noticia" podem ser mentiras idênticas?Pretenderiam os terroristas do 11 de Março confirmar uma anunciada vitória do PP, inverter o resultado com uma inesperada vitória do PSOE ou dar um qualquer pretexto para inviabilizar eleições? Ou simplesmente exercer uma qualquer vingança? Ou só terror? Em nome, por exemplo,  de uma extrema-direita que mata, sem piedade, a dizer que combate o terrorismo.
Será Bin Laden  um "rebelde sem causa", um louco que gosta de matar sem razão aparente? Será que a doutrina da guerra preventiva,  seguida por george W. Bush com todo o apoio, entre outros,  da Espanha de Aznar não tem também aspectos terroristas? Tal como a política da eliminação, sem julgamento, de alvos que o Governo de Israel escolhe?
Será o 11 de Março, como há quem diga na América Latina, uma cobrança histórica por três séculos de dominação espanhola do Continente Americano,  a exercer "a brutalidade da conquista em relação aos habitantes nativos que possuíam uma riquíssima cultura" como se lê em crónicas de viajantes do período colonial?
Será que podemos apagar do calendário do medo todos os dias 11 e os que se lhes seguem sem combater o fosso, crescente, que vai separando os países ricos das nações pobres?


  
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Edição:

N.º 133
Ano 13, Abril 2004

Autoria:

João Rita
Jornalista, Porto
João Rita
Jornalista, Porto

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