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Serviços públicos criticados por quem não os utiliza

TESTEMUNHO

A direita ataca permanente aos serviços públicos. Está tudo mal e nada funciona. A culpa é dos trabalhadores que são malandros, desleixados e incompetentes.
O objectivo da direita todos o conhecemos. Eles detestam os serviços públicos porque não são um negócio deles. E como não são um negócio deles não devem existir. Para além disso, os serviços públicos servem todos os cidadãos, igualizam. Ora eles entendem que direitos são reserva sua e que dar saúde, educação ou justiça à maioria da população é um desperdício.
Na perspectiva da direita tudo deve ser transformado em negócio capaz de lhes dar lucro. A saúde, a educação, a segurança social, a protecção no desemprego, a justiça, na óptica da direita, são apenas uma «janela de oportunidade» e por isso deviam ser privatizadas. Privatizadas as funções do Estado quem tiver dinheiro que compre e quem não tiver que se dane.  É uma perspectiva malthusiana da vida.
Como qualquer outro trabalho, os serviços públicos podem e devem ser melhorados constantemente. A vida não pára. Mas uma coisa é investir neles e melhorá-los, outra é destruí-los, desmantelá-los.
O ataque verrinoso aos serviços públicos é feito, sobretudo, por quem não os utiliza. No que me diz respeito quero hoje deixar, publicamente, o meu reconhecimento e o meu apreço por três serviços públicos de saúde aos quais recorri nos últimos anos. Na minha lista de serviços recebidos com excelência, estão os hospitais de Santo António e de São João e o Centro de Saúde de São João, todos da cidade do Porto. Três serviços a merecerem o meu aplauso, agradecimento e reconhecimento. Dizer mal das pessoas que ali trabalham é uma enorme injustiça. Não reconhecer o seu  profissionalismo e sentido de responsabilidade faz doer. Nestes três serviços o meu elogio, particular, vai para os trabalhadores mais jovens das diversas profissões que ali são exercidas. A sua competência profissional, desenvolvimento, trato, interesse, disponibilidade e sentido de responsabilidade são um conforto. Ao lidar com estes jovens, não posso deixar de pensar que valeu a pena termos sido professores deles e delas.


  
Ficha do Artigo
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Edição:

N.º 132
Ano 13, Março 2004

Autoria:

José Paulo Serralheiro
Professor e Jornalista. Director do Jornal a Página da Educação.
José Paulo Serralheiro
Professor e Jornalista. Director do Jornal a Página da Educação.

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